ECONOMIA

EUA buscam mudanças no comércio do G20 com foco na China

Pressão norte-americana visa rever acordos comerciais para reduzir desequilíbrios globais

Por Sputnik Brasil Publicado em 31/08/2026 às 11:19
EUA pressionam no G20 para rever comércio com a China e discutir desequilíbrios globais. © AP Photo / Andy Wong

EUA pressionam o G20 a rever termos comerciais com a China, mas um especialista chinês consultado pela mídia asiática afirma que Washington tenta politizar desequilíbrios globais e promover "comércio em blocos", ignorando que o superávit chinês decorre de demanda global e competitividade industrial.

O apelo do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para que o G20 reavalie seus termos comerciais com a China foi interpretado por um economista chinês como uma tentativa de transformar um debate econômico em pressão política enquanto busca promover um "comércio baseado em blocos", mirando a China em vez de examinar suas próprias dificuldades competitivas.

Bessent afirmou à mídia britânica que incentivaria os membros do G20 a "reexaminar" suas relações comerciais com Pequim para reduzir "desequilíbrios globais", classificando o nível das exportações chinesas como "insustentável". As declarações surgem às vésperas da reunião do G20 em Asheville, onde os EUA priorizam o tema na agenda financeira.

Consultado pelo Global Times, Li Yong, da Sociedade Chinesa para Estudos da Organização Mundial do Comércio (OMC), acredita que o discurso de Bessent é mais mobilização política do que proposta baseada em lógica de mercado. Ao levarem o tema ao G20, os EUA tentariam transformar uma questão econômica em disputa geopolítica, incentivando parceiros a adotar práticas de comércio em bloco.

Li argumenta que os desequilíbrios globais não podem ser atribuídos a um único país e que o comércio internacional é moldado por demanda, capacidade de oferta e vantagem comparativa. Ele lembra que superávits não tornam um país responsável por desequilíbrios globais e que o Fundo Monetário Internacional (FMI) defende ações coordenadas, não ajustes unilaterais.

O FMI estima o superávit em conta corrente da China em cerca de 3,3% do produto interno bruto (PIB) para 2025, dentro de padrões internacionais. O Ministério do Comércio da China reforça que Pequim registra superávit em bens, mas déficits em serviços e renda de investimentos, e que seu comércio é guiado pela demanda global e pela competitividade de seus fabricantes.

O especialista também destaca que a força das exportações chinesas reflete capacidade produtiva e agilidade industrial, não tentativa de exportar problemas internos. Ele contrapõe isso aos EUA, que enfrentam fragilidades estruturais, financeirização excessiva e crescente dependência de medidas protecionistas.

Li alerta que pressionar economias a adotar restrições comerciais contraria regras da OMC e pode fragmentar ainda mais o sistema global. Para ele, a China busca ser não apenas "fábrica do mundo", mas também "mercado mundial", ampliando importações e estimulando a demanda interna, conclui a mídia.