Lavrov destaca cooperação da Rússia no Ártico com China e Índia
Ministro das Relações Exteriores aponta o Ártico como área promissora de parcerias estratégicas.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou em um artigo que Moscou estabeleceu uma cooperação estreita no Ártico com a China e a Índia, e a região ártica poderá se tornar uma das principais áreas de parceria com Nova Délhi nas próximas duas décadas.
"Entre os países com os quais estabelecemos uma cooperação estreita no Ártico, é preciso mencionar, antes de tudo, a China e a Índia", disse o ministro em artigo. "Mantemos um diálogo ativo com Nova Délhi sobre questões de altas latitudes."
Segundo alguns especialistas, o Ártico poderá se tornar uma das principais áreas de parceria entre a Rússia e a Índia nas próximas duas décadas, observou o chanceler russo.
Questões relacionadas ao Ártico estão sendo discutidas de forma substantiva também com Pequim durante reuniões regulares entre chefes de governo. Existe uma subcomissão bilateral especializada sobre a Rota do Mar do Norte, bem como mecanismos de consulta entre os ministérios das Relações Exteriores e de intercâmbio científico, disse Lavrov.
"Os resultados falam por si: isso inclui o início do transporte regular de contêineres pelos mares do norte da Rússia — com planos de aumentar a frequência dessas operações — e outras conquistas, inclusive na pesquisa polar."
Ainda de acordo com o chanceler, a Rússia observa um interesse significativo de países estrangeiros em uma cooperação construtiva no Ártico e está pronta para desenvolver parcerias mutuamente benéficas com eles — e há muitos desses países.
"Para implementar essas diretrizes na prática, estamos abertos à cooperação com todos os países estrangeiros de mentalidade construtiva que demonstrem disposição recíproca. E são muitos."
Lavrov ressaltou que o vasto potencial de recursos, transporte e logística do Extremo Norte, bem como suas características naturais e climáticas, oferecem amplas oportunidades de parceria.
O ministro destaca que a Rússia busca manter a paz e a estabilidade no Ártico, bem como reduzir as ameaças à segurança nacional.
"No Ártico, a Rússia busca preservar a paz e a estabilidade, reduzir o nível de ameaças à segurança nacional e criar condições externas favoráveis ao desenvolvimento socioeconômico do país."
Para implementar esses princípios, Moscou está aberta à cooperação com todos os países estrangeiros que tenham uma postura construtiva e demonstrem disposição recíproca, acrescentou Lavrov. O Ocidente, no entanto, tenta minar os direitos da Rússia na cooperação internacional por meio de sanções ilegítimas.
"Esse esforço deliberado e sistemático para fomentar uma atmosfera de desconfiança na esfera militar ocorre paralelamente às tentativas ocidentais de minar os direitos legítimos da Rússia na cooperação internacional por meio de sanções financeiras e econômicas ilegítimas, direcionadas a pessoas jurídicas e físicas de países da Maioria Global envolvidos em projetos conjuntos na região do Ártico."
O chanceler aponta que a Rússia está preparada para retomar o pleno funcionamento do Conselho do Ártico se todos os membros levarem em conta os interesses de cada participante. Diferente de como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) age, uma vez que desacredita e marginaliza o Conselho.
"Ao mesmo tempo, estamos preparados para o cenário que os países da OTAN buscam atualmente dentro da organização, ao tentarem discutir questões do Ártico entre si, sem a Rússia, desacreditando e marginalizando, assim, efetivamente o Conselho do Ártico."
Para esse cenário, a Rússia dispõe de território, logística, tecnologia e parceiros confiáveis para realizar projetos mutuamente benéficos e implementar com confiança seus planos para o Ártico, completou Lavrov.