EDUCAÇÃO

Estudante espancado na UFRJ desmente acusações de nazismo

Diego Costa da Silva Araújo se defende durante entrevista após agressões em campus universitário.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/08/2026 às 14:06
UFRJ Reprodução / Agência Brasil

Espancado por alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na noite de terça-feira, 25, após comparecer a um campus da unidade com uma camiseta e acessórios associados ao nazismo, o estudante do curso de História Diego Costa da Silva Araújo afirmou não ser nazista e que nada do que o acusam é real. As declarações foram feitas ao jornalista Pedro Doria, durante entrevista para o canal Meio, no YouTube. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

“Minha mente está pacífica. Eu não cometi nenhum crime. Nada do que me acusam é real”, afirmou o estudante que, ao ser questionado sobre seu posicionamento político, disse ser de esquerda. “Eu me identifico como esquerda marxista.”

Diego explicou que se interessa pela iconografia e simbologia nazista que, como disse, foi apropriada de diferentes culturas, e pelo fascismo como um fenômeno social. “Entendo que o fascismo é uma coisa camaleônica. É até difícil apontar exatamente o que é fascismo, porque ele bebe de diversas fontes que são contraditórias entre si”, declarou o estudante, que disse ser um “acadêmico do assunto”.

Em seguida, o estudante afirmou não ser nazista: “Eu não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas. Eu não sou nazista. Eu sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil ou na Europa. E o meu interesse é puramente acadêmico”.

Diego ainda negou acusações de participação em grupos extremistas, dos quais disse ser um “observador”. “Eu não possuo qualquer histórico de participar de grupo Redpill, de Telegram, de Discord, de grupos extremistas. Não faço parte de nada disso. Nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como um observador para entender os seus pensamentos”, afirmou.

Camisa com iconografia nazista

Sobre a camiseta de Diego que teria motivado as agressões, Pedro Doria fez uma contextualização. O jornalista disse que era a blusa de uma banda punk denominada Death in June, com o símbolo da caveira que representava a Schutzstaffel (SS), organização paramilitar nazista. Doria, então, perguntou: “O que que essa banda representa para você? O que é que está sendo dito ali?”.

Diego disse que o punk, enquanto um movimento político, de subcultura, se apropria de certos símbolos para ridicularizá-los. Ele ainda fez uma distinção entre a caveira utilizada pela banda com a que simbolizava a “SS” nazista.

“Não é a caveira da 'SS', é a caveira modificada. É uma caveira de um crânio neandertal. Existe esse detalhe. Você pode pegar a foto da caveira da 'SS' e a caveira da camisa que eu estava usando. Elas são diferentes”, disse.

Ele também negou que o broche que usava fazia apologia ao nazismo. “Eu estava com um pin grande, um broche de uma suástica dizendo 'não'. Uma suástica com um proibido, dizendo que eu não sou só antinazista, eu sou duplamente antinazista. Eu estava negando este símbolo”.

Reflexo das agressões

As agressões contra Diego ocorreram nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH), no Centro da capital fluminense. Na entrevista, concedida três dias após o espancamento, ele disse ainda sentir dores pelo corpo e estar “apático” devido ao “trauma”.

“Foi um trauma tão forte que eu sinto que meu corpo e a minha mente estão desconectados. Eu não consigo comer, eu não consigo dormir, eu não sinto apetite, eu me sinto completamente apático”, afirmou.

O espancamento teve início após um desentendimento quando alunos tentaram abordar o estudante e acionar a segurança do campus para retirá-lo do local e encaminhá-lo à delegacia. A discussão evoluiu para uma briga com xingamentos e agressões físicas, incluindo socos, tapas e chutes nas escadas e áreas internas e externas do prédio.

O estudante afirmou que foi retirado da sala de aula e classificou o episódio como tentativa de homicídio. Ele também negou na entrevista ter feito xingamentos racistas contra os agressores.

A Polícia Civil analisa as imagens gravadas por celulares de testemunhas e realiza diligências para ouvir os envolvidos e esclarecer tanto a acusação de apologia ao nazismo quanto os atos de agressão física.

Posicionamento da UFRJ

A UFRJ e a direção do IFCS abriram uma comissão de sindicância para apurar o caso. Em nota oficial, a reitoria da universidade repudiou veementemente qualquer tipo de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação.

A instituição ressaltou que não admite agressões físicas ou violência como resposta a provocações ou divergências ideológicas, afirmando que o ambiente acadêmico deve priorizar a convivência democrática. Reuniões e ações com a comunidade estudantil foram intensificadas para evitar a escalada de novos conflitos no campus.