EDUCAÇÃO

Dicas imprescindíveis para o Enem: estresse à parte

Orientações de especialistas ajudam vestibulandos a estudar de forma eficaz e a controlar a ansiedade.

Por Estadao Conteudo Publicado em 29/08/2026 às 16:47
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial OpenAI (GPT Image)

Estudar para o vestibular é uma fase de grande pressão para os adolescentes na transição para a vida adulta. É uma decisão importante a ser feita, que pode carregar as próprias expectativas e as de toda a família, e exige um esforço contínuo nos estudos. Assim, é comum que os adolescentes enfrentem ansiedade, exaustão e outros problemas de saúde mental. Mas como lidar com eles?

De acordo com psicólogos e professores ouvidos pela reportagem, definir o curso que deseja estudar e a universidade já é um passo complicado, mas é importante lembrar que nenhuma decisão é definitiva. Entrar na faculdade é um passo importante, mas não irá definir todo o futuro do jovem, que pode trocar de curso ou seguir outro caminho profissional após se formar.

Outra ação possível é pesquisar ao máximo sobre os cursos e universidades e conversar com quem já está na graduação ou na carreira. Caso ainda não tenha se decidido, é possível ter certeza do que não se quer estudar e, a partir disso, ir reduzindo as opções.

Para os pais e tutores, é fundamental não colocar um peso extra sobre os filhos, desejando tomar as decisões por eles. "Quem escolhe é o jovem ou ele está sendo escolhido para realizar o sonho de outra pessoa?", questiona Maria Lívia, professora titular do Instituto de Psicologia da USP e supervisora de inclusão e pertencimento da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que organiza a seleção dos novos alunos da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Maria Lívia, "as pressões familiar e social tornam a jornada mais pesada, porque o candidato sente inconscientemente a obrigação de passar. Para o adolescente, falar sobre a ansiedade e nomear isso já produz alívio, quando ele começa a pensar na escolha que está fazendo. O candidato entra na sala e carrega projetos de uma vida inteira".

Por isso, é crucial ter uma conversa madura sobre as preferências e possibilidades entre pais e filhos. Outra ação importante para os familiares é acompanhar o estado emocional do jovem, percebendo se ele está ansioso ou sofrendo demais.

As universidades têm buscado prestar maior atenção ao tema. A Fuvest, por exemplo, criou o programa "Fuvest Escuta", que promove rodas de conversa online com um psicólogo voluntário. Coordenado por Maria Lívia, o programa teve sua primeira edição no vestibular para 2026 e se repetirá na prova para 2027 e nos anos seguintes, estando aberto a todos os vestibulandos através da inscrição no site.

De acordo com a coordenadora, a intenção do programa é tornar a Fuvest mais inclusiva. "Uma pessoa tomada de ansiedade tende a fazer uma prova ruim e não ser aprovada. É uma jornada longa e intensa de estudos que requer esforço. Nós entramos com a proposta de oferecer aos candidatos um espaço de fala e escuta que funciona como suporte psicológico, visando fornecer recursos para enfrentar o momento do vestibular", relata a professora da USP.

Como organizar a rotina para estudar

Todas as vestibulares exigirão estudos, e por isso ter uma rotina que se torne um hábito pode ajudar. "O jovem pode cumprir as aulas que teve no formato de estudo em casa, pegar apostilas e exercitar. É necessário alternar as disciplinas, ter pausas para descanso e realizar atividades físicas, pelo menos duas ou três vezes por semana", indica Rafaela Lemos, coordenadora de Orientação Educacional do Colégio Poliedro e psicóloga.

No entanto, Lemos faz um alerta: se é importante ter essa rotina, também deve haver certa flexibilidade e não "cristalizá-la", tornando-a rígida demais. Caso contrário, um dia fora da rotina pode causar desânimo excessivo, em vez de simplesmente retomar na sequência. A qualidade do sono e uma alimentação adequada também não devem ser negligenciadas.

A rotina deve incluir, além do estudo e das outras obrigações que o adolescente tiver, dias para descanso e diversão, para espairecer. "Não se trata de sofrer, mas sim de se esforçar. O vestibulando não vai ser premiado por alguma entidade divina por fazer sacrifícios, ele precisa ter um esforço racional concentrado, sem precisar cortar coisas importantes", menciona Marcelo Monte Forte da Fonseca, coordenador geral do Curso Etapa.

Estudante do terceiro ano do ensino médio no colégio privado Guilherme Dumont Villares (GDV), na zona Sul de São Paulo, Miguel Mendonça, de 18 anos, já sabe o que deseja cursar: biologia, com o sonho de ingressar na USP.

Em entrevista à reportagem, Mendonça conta como organiza sua rotina e separa tempo para o descanso. "Eu estudo com base nas matérias que tenho aula a cada dia, durante as aulas de manhã. Faço o máximo de exercícios e tiro todas as dúvidas que consigo, quando chego em casa reviso os conteúdos passados pela manhã, elabo resumos e listas de exercícios ligados às matérias estudadas", relata.

"Ter uma rotina de estudos me tranquiliza muito, meu desempenho melhorou bastante em comparação ao período sem rotina, mesmo que eventualmente eu não siga tudo à risca, por gostar de diversificar meus estudos. Mas, em geral, isso tem sido muito positivo para alguém que vai prestar vestibular no final do ano", afirma.

Para vestibulandos que já trabalham, a recomendação é aproveitar os momentos disponíveis para estudar e criar uma rotina a partir disso. Se a questão do sono se tornar complicada, evite estimulantes como o excesso de café.

Fazer simulados e conhecer a "cara" de cada prova é importante, observando o peso que cada uma dá para a redação, interpretação de texto e outros aspectos. "Conhecer a essência de cada exame é crucial, mas é preciso saber que eles mudam ao longo do tempo", diz Fonseca, do Etapa.

Os professores e psicólogos ouvidos pela reportagem recomendam não estender os estudos por longas horas, o que pode comprometer o rendimento e a compreensão dos conhecimentos, em vez de ajudar. O método pomodoro, que preconiza estudar por 25 minutos e pausar por cinco a seguir, pode ser uma alternativa, mas a quantidade de minutos de estudo e pausa pode variar conforme a pessoa.

Estudar com amigos pode ser benéfico. Além da possibilidade de descontração, um pode ajudar o outro em matérias difíceis. O simples ato de explicar uma matéria a alguém é uma boa maneira de estudar, pois auxilia a perceber lacunas. "Os vestibulandos podem realizar simulados em conjunto, trocando saberes; ao explicar um para o outro, isso também proporciona harmonia na busca pela vaga", menciona Lemos, do Poliedro, sobre a competitividade que pode atingir os jovens.

Por fim, nos últimos dias de preparação para as provas, o ideal é não buscar novos conteúdos, mas revisar o que já foi estudado. Uma dica importante é não desanimar após uma prova ruim, pois ainda haverá outras provas. Cada vestibular é diferente e isso não afetará o seguinte.

"Há uma preocupação em relação à ansiedade da geração atual. É natural sentir ansiedade antes de um momento importante, mas é preciso ter cuidado com a que paralisa. A família e a escola devem prestar atenção e agir quando necessário", afirma Lemos.

Mendonça compartilha que sente uma ansiedade "boa", mas percebe que seus colegas estão nervosos. "Minha rotina é cansativa, mas também é muito gratificante saber que estou fazendo o meu melhor para passar na faculdade com a qual sonho", diz o jovem.

Dicas para manter a saúde mental enquanto estuda para o vestibular

  • Pesquise bem sobre o curso, a carreira e as instituições de ensino;
  • Tenha em mente que não é uma decisão definitiva;
  • Fale com quem já está no curso universitário e na carreira;
  • Converse com os pais e tutores;
  • Tenha uma rotina de estudos organizada, mas não inamovível;
  • Faça simulados e observe a prova nos anos anteriores;
  • Identifique em quais matérias pode melhorar, mas não ignore os avanços em temas que considerava difíceis;
  • Garanta tempo para descansar;
  • Reserve momentos de pausa para não forçar a mente e acabar perdendo rendimento;
  • Estude com amigos, ajudando uns aos outros;
  • Perto da prova, faça revisões;
  • Se utilizar o método pomodoro, adapte-o à sua realidade com relação a quantos minutos estudar e pausar;
  • Para os pais: deixem as decisões a cargo dos filhos;
  • Para os pais: não coloquem uma carga extra sobre os filhos, aumentando a pressão;
  • Para as universidades: criar espaços de escuta e permitir o contato de quem já foi aprovado com quem ainda estuda para entrar é positivo.