LOGÍSTICA

Fretes de milho em Mato Grosso enfrentam desafios, mas mercado pode esquentar

Conab projeta aumento na movimentação de milho, alavancando demanda por transporte nos próximos meses.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 20:21
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial OpenAI (GPT Image)

A movimentação do milho deve ganhar intensidade nos próximos meses e voltar a dar suporte aos fretes rodoviários de grãos, que perderam força em julho em parte das principais regiões produtoras do País, especialmente em Mato Grosso, após o forte ritmo de escoamento da soja no primeiro semestre. A avaliação consta do Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O comportamento, porém, é desigual entre os Estados: enquanto rotas mato-grossenses registraram quedas de até 11% no mês, no Paraná a disputa por caminhões entre soja e milho pressionou fretes em rotas para Paranaguá.

A pressão logística ocorre em meio a uma safra brasileira de grãos estimada pela Conab em 360,8 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas, ante o ciclo anterior. A soja responde por aumento de 9 milhões de toneladas e o milho, de 1,8 milhão de toneladas. No fim de julho, 58,3% da área de milho segunda safra havia sido colhida.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, a Conab identificou "esfriamento e leve declínio das cotações" na maior parte das rotas pesquisadas. Depois de um primeiro semestre aquecido pela retirada da soja e pela necessidade de liberar armazéns antes da entrada do milho, o fluxo da oleaginosa diminuiu e o cereal ainda não ganhou ritmo expressivo de negócios e embarques.

Segundo a companhia, a entrada da nova oferta pressionou os preços do milho e levou produtores a adiar vendas à espera de cotações melhores. Esse quadro, contudo, pode mudar. A Conab espera intensificação das negociações e do escoamento do milho nos próximos meses, movimento que tende a ampliar a demanda por transporte e produzir reflexos positivos sobre os fretes.

A companhia também destacou a mudança estrutural provocada pelo crescimento do consumo de milho dentro de Mato Grosso, com avanço de trajetos curtos para atender indústrias locais, em detrimento de parte dos fluxos direcionados à exportação. A expansão ferroviária, com novos pontos de descarga próximos a Campo Verde e Primavera do Leste, também aumenta o giro dos caminhões e a oferta relativa de transporte.

Em julho, o frete de Sorriso para Santos recuou 2% ante junho, de R$ 510 para R$ 500 por tonelada, enquanto o trecho para Paranaguá caiu de R$ 500 para R$ 490. As baixas foram mais acentuadas nas rotas de Sorriso para Alto Araguaia, de 9%, para R$ 210 por tonelada; Rondonópolis, de 8%, para R$ 165; e Miritituba, também de 8%, para R$ 290. Em Primavera do Leste, o transporte para Alto Araguaia caiu 11%, para R$ 125 por tonelada, enquanto as rotas para Santos e Paranaguá ficaram estáveis em R$ 420 e R$ 410, respectivamente.

O cenário foi diferente no Paraná. A manutenção de embarques de soja para exportação, combinada ao avanço da colheita do milho segunda safra, ampliou a concorrência por caminhões em julho. Na rota Campo Mourão-Paranaguá, o valor subiu 40% no mês, de R$ 164 para R$ 230 por tonelada, e ficou 50% acima de julho de 2025. De Toledo para Paranaguá, houve aumento de 8%, para R$ 218 por tonelada. Cascavel-Paranaguá avançou 2%, para R$ 205, enquanto Ponta Grossa-Paranaguá subiu 3%, para R$ 87,50.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita de milho ganhou tração após atrasos provocados por chuvas e alta umidade, elevando a procura por caminhões, mas os preços apresentaram comportamento misto. O frete de Chapadão do Sul para Paranaguá subiu 3% no mês, para R$ 315 por tonelada, e para Guarujá avançou também 3%, para R$ 320. Em Ponta Porã, as rotas para Paranaguá e Santos aumentaram 7% e 6%, respectivamente. Já Dourados-Maringá caiu 10%, para R$ 120 por tonelada, enquanto Maracaju-Paranaguá recuou 7%, para R$ 266.

A demanda doméstica também ganhou importância no Estado. Na ausência de novos embarques externos de milho em julho, parte da produção foi retida ou direcionada a indústrias de bioenergia, cooperativas e cadeias de proteína animal. A Conab estima movimentação rodoviária de aproximadamente 800 mil toneladas de milho voltada ao mercado interno no mês.

A soja manteve fluxo relevante, com 933,2 mil toneladas exportadas, alta de 11,6% ante julho de 2025, além de aproximadamente 300 mil toneladas destinadas ao processamento doméstico.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras de soja somaram 82,96 milhões de toneladas, ante 76,95 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O Arco Norte respondeu por 39% dos embarques, seguido por Santos, com 35,7%, e Paranaguá, com 13,1%. O Porto de Santos movimentou 29,65 milhões de toneladas de soja no período, enquanto Paranaguá escoou 10,86 milhões.