ECONOMIA

Ibovespa fecha em alta após declarações do Fed e desempenho do Caged

Índice acumula valorização de 2,71% na semana, com todas as dez ações principais em alta.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 18:14
Ibovespa Depositphotos

Na última hora do pregão, o Ibovespa reverteu a queda registrada ao longo do dia para finalmente terminar em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos, respondendo a uma procura marginal por ações mais descontadas depois de quedas sucessivas. Os ganhos das últimas sessões permitiram ao índice acumular alta de 2,71% na semana, com todas as dez maiores ações da bolsa registrando altas em cinco dias.

Mesmo com a melhora do humor nesta tarde, o mercado brasileiro esbarrou nas declarações mais duras do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, durante o Simpósio de Jackson Hole. As falas indicaram preocupação do dirigente com a inflação persistente e reforçaram a leitura de que os juros podem subir na maior economia do mundo. O reflexo já se viu nas apostas do mercado para a reunião de setembro, que se deslocaram de manutenção para alta de juros - 57,5% dos investidores esperam essa decisão, segundo a ferramenta do CME FedWatch.

Juros mais altos nos EUA enxugam a liquidez global, especialmente de mercados considerados mais arriscados - o EEM (iShares MSCI Emerging Markets ETF), maior ETF ligado a ações emergentes, cai 0,70% nesta sexta.

"Hoje sexta-feira, 28 o presidente do Fed ajudou a pressionar os mercados ao falar que a inflação não está desacelerando como esperado e isso afeta especialmente o Brasil, porque os juros nos EUA são um dos catalisadores para a bolsa nossa ter fôlego, além do ambiente doméstico e político", afirma Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.

"Warsh reafirmou que a inflação do PCE de 2% continua sendo o objetivo firme do Fed, que as taxas de juros continuam sendo a principal ferramenta de política monetária e que a recente sequência de dados de inflação mais moderados ainda não demonstrou uma melhora significativa nas tendências subjacentes", declarou Daniel Siluk, head global de curta duração e liquidez da Janus Henderson, em comentário.

"Ele não deu sinais prospectivos, mas deixou claro que, com os mercados de trabalho estáveis, o crescimento resiliente e as condições financeiras não particularmente restritivas, o foco continua nos dados de inflação."

No pano de fundo, os investidores também repercutiram os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou uma menor criação de vagas formais no Brasil. O esfriamento da economia reforça a leitura de que os juros por aqui podem ter espaço para quedas adicionais no ciclo de calibramento do Banco Central, abrindo margem para a tomada de risco dos investidores na renda variável.

"A forte frustração em relação às projeções para o Caged aponta para uma possível perda de fôlego do mercado de trabalho formal. Ainda é cedo para tratar esse movimento como tendência consolidada de desaceleração", afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, ponderando que há um aumento das apostas de uma queda de juros de 0,25 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do BC e até mais outra queda de mesma magnitude numa das reuniões seguintes.