ECONOMIA

Dólar fecha em alta a R$ 5,20 e acumula valorização de 1% na semana

Declarações do presidente do Fed motivam expectativas de alta na taxa de juros.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 17:46
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O dólar exibiu alta firme frente ao real nesta sexta-feira, 28, acompanhando a onda de valorização da moeda americana no exterior, após declarações duras do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, estimularem apostas em alta da taxa básica em setembro. O real, que costuma apanhar mais em dias negativos para ativos de risco, apresentou hoje desempenho melhor que o de pares como o peso colombiano e o rand sul-africano.

Operadores avaliam que os ajustes típicos de fim de mês, como remessas ao exterior e a rolagem de contratos futuros, já foram em grande parte realizados. A venda de US$ 1 bilhão ontem pelo Banco Central, no mercado à vista, em operação conjugada com oferta de swaps cambiais reversos em igual valor, teria aumentado a liquidez. Além disso, o real já acumula perdas superiores às de pares em agosto.

Afora uma queda pontual e bem limitada na abertura do pregão, o dólar trabalhou em alta no restante do dia. A escalada para o nível de R$ 5,20 começou no fim da manhã, com o discurso de Warsh no Simpósio de Jackson Hole, e teve seu pico a R$ 5,2308 por volta de 13h20. Com o arrefecimento da febre compradora nas últimas horas da sessão, o dólar à vista terminou o dia em alta de 0,67%, a R$ 5,1965, o que leva os ganhos na semana a 1,00%. Em agosto, a moeda americana sobe 2,49% frente ao real, após perdas de 1,79% em julho.

O economista sênior Christoph Balz, do banco alemão Commerzbank, destaca trecho do discurso em que Warsh afirma que o Fed terá "trabalho a fazer" se não houver sinais evidentes de que a inflação caminha de forma célere para a meta de 2%. "Ele parece demonstrar maior abertura para uma elevação nas taxas de juros, embora não tenha conseguido ainda dissipar completamente as dúvidas sobre seu real comprometimento com essa postura mais firme", afirma Balz, em relatório a clientes.

A taxa do Treasury de 2 anos, ligada às perspectivas sobre os próximos passos do Fed, subiu mais de 10 pontos-base, com máxima a 4,35%. No início da tarde, a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrava cerca de 55% de probabilidade de que o Fed eleve a taxa de juros no mês que vem. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,50% por volta das 17h, aos 99,657 pontos, após máxima aos 99,726 pontos. O Dollar Index termina a semana com ganhos de quase 0,90%, mas ainda tem leve perda em agosto.

Citando os riscos de uma alta de juros nos EUA, o Citi decidiu realizar lucros em posições a favor do euro e migrou o financiamento de suas posições em "carry trade" em emergentes do dólar para outras moedas do chamado G10 (grupo que abrange euro, iene e libra), mas sem citar uma divisa específica. "Ainda não consideramos necessária uma alta de juros por parte do Fed, mas a nossa opinião pouco importa. O que conta é a visão do Fed, e a postura de hoje foi hawkish", afirma o Citi, em relatório assinado pelo chefe de estratégia de mercados emergentes do banco, Dirk Willer.

Por aqui, dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, divulgados à tarde, com geração de vagas aquém das expectativas, atestaram a tendência de moderação do mercado de trabalho - o que reforça a leitura de espaço para cortes adicionais da taxa Selic. A aposta majoritária é de nova redução do juro básico em 0,25 ponto porcentual, para 13,75%.

"Não vislumbro queda relevante do diferencial de juros para o Brasil. A depreciação do real tende a ser limitada, mesmo no período eleitoral", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, que prevê queda da Selic para pelo menos 13,50% até o fim do ano. "Além disso, o BC tem robustez na ponta da venda do dólar para administrar a volatilidade e falta de liquidez pontual."