Produção nacional de medicamentos pelo SUS ultrapassa 50%
Ministro Alexandre Padilha reafirma meta de alcançar 70% até 2033 durante conferência em Rio de Janeiro.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (28) que o Brasil ultrapassou em 50% a parcela de medicamentos e insumos farmacêuticos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) produzida no Brasil e reiterou a meta de atingir 70% até 2033.
"O Brasil hoje já ultrapassou 50% de produção daquilo que consome, isso foi um avanço e pisamos, vamos continuar perseguindo essa luta para poder chegar a 70% de produção local”, destacou Padilha.
À Sputnik Brasil, o ministro declarou que o compromisso do governo federal demonstra uma reafirmação da soberania do país, em meio às disputas comerciais acirradas por tarifas aplicadas pelo governo norte-americano e a conflitos como o de Estados Unidos e Irã, que impactam o estreito de Ormuz e dificultam o transporte de medicamentos e insumos no corredor marítimo.
“Toda vez que se faz algo absurdo como esse nas trocas comerciais, quem sofre são exatamente os países em desenvolvimento, as populações mais vulneráveis, e que sempre pode afetar, inclusive a oferta de insumos na área da saúde, como também os conflitos bélicos, que impactam no transporte de medicamentos e de insumos tão essenciais para a área da saúde”, afirmou Padilha.
O ministro destacou que o Brasil voltou a produzir insulina depois de 20 anos, graças a cooperações com Índia e China, e passou a ocupar espaço na produção de três plataformas de vacinas de RNA mensageiro, com o apoio de países e empresas do continente europeu.
Padilha citou que esse movimento possibilita a consolidação de plantas industriais de produtos biológicos de alto custo "que antes não existiam no país".
"Então, tem uma ação soberana também de diversificação das suas relações da cooperação e também tem uma ação de exigência, ao usar o poder de compra do SUS, de aumentar a produção local, as capacidades locais de produção", disse.
A despeito das relações com o governo dos Estados Unidos, o ministro mencionou que as autoridades sanitárias brasileiras mantêm parceria com instituições e empresas norte-americanas que possam colaborar para o desenvolvimento de políticas na saúde pública.
"Nós não ficamos esperando dependentes da cooperação com apenas um país. Mantivemos relações, vamos manter com instituições universitárias e empresas dos Estados Unidos. Várias delas que transferem tecnologia aqui na área da saúde, entre elas, por exemplo, a vacina da bronquiolite, que tem uma transferência de tecnologia em um laboratório público brasileiro", acrescentou.
Padilha citou ainda a diversificação da produção dos chamados GLP-1, os medicamentos popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras".
"O Brasil entrou com ação firme de diversificação aqui no país. Já são sete regiões aqui no Brasil, quatro deles empresas nacionais que vão poder produzir aqui no nosso país", afirmou o ministro.
"O Brasil tem reafirmado a sua soberania não só no posicionamento político, no posicionamento diplomático, mas também na expansão das cooperações. O Brasil, hoje, pela agenda da saúde, tem cooperação com os principais países do mundo", concluiu.
O ministro Alexandre Padilha participou nesta sexta-feira (28) da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde 2026, realizada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio.