Irã critica EUA por 'terrorismo econômico' e sanções ilegais
Chancelaria iraniana classifica sanções como violação de direitos internacionais e humanidade.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de promoverem uma nova onda de 'terrorismo econômico' contra o país e afirmou que as sanções anunciadas por Washington nesta semana violam a Carta das Nações Unidas, o direito internacional e direitos humanos fundamentais.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (28) via Telegram, a chancelaria iraniana classificou a chamada 'Operação de Expulsão Econômica' dos EUA como uma forma de 'terrorismo de Estado' e acusou Washington de usar o dólar como instrumento para pressionar outros países a aderirem às medidas contra Teerã.
Segundo o ministério, as sanções representam uma violação da soberania nacional e do direito à autodeterminação e também contrariam decisões e princípios internacionais sobre não intervenção. Teerã afirmou ainda que a política americana busca 'impor sofrimento e dor ao povo do Irã' e pode ser considerada um 'crime contra a humanidade'.
A chancelaria também citou decisão de 2018 da Corte Internacional de Justiça que determinou a retirada de obstáculos a transações envolvendo bens humanitários, como alimentos, medicamentos e equipamentos médicos.
O governo iraniano pediu que outros países se abstenham de aplicar as sanções americanas e afirmou que a participação nessas medidas equivaleria a cumplicidade com ações ilegais dos EUA. O ministério prometeu utilizar 'todas as suas capacidades' para enfrentar o que chamou de agressão militar e econômica e de 'guerra híbrida americano-sionista'.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou, após reunião com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que uma retomada das negociações com Washington não é impossível, mas exige que os EUA 'construam confiança' e abandonem a pressão sobre Teerã.