Déficit comercial da UE com a China: análises e perspectivas
Ursula von der Leyen defende ações de defesa, enquanto especialistas apontam para a competitividade chinesa.
Von der Leyen afirmou que o déficit comercial da UE com a China não pode ser permanente e defendeu instrumentos de defesa quando o diálogo falhar, mas especialistas chineses dizem que o desequilíbrio decorre da maior competitividade industrial chinesa e de entraves internos europeus, não de práticas desleais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou a empresários franceses que o déficit comercial da União Europeia (UE) com a China não pode ser tratado como um desequilíbrio permanente e que o bloco deve recorrer a instrumentos de defesa comercial quando o diálogo não avançar.
Apesar de suas considerações, especialistas chineses consultados pelo Global Times têm contestado a leitura, dizendo que culpar a China é ignorar causas internas europeias.
Para analistas como Hu Qimu, o déficit é consequência da maior competitividade industrial chinesa, impulsionada pela modernização da manufatura.
A principal razão reside na crescente competitividade industrial da China, impulsionada pela modernização da manufatura. Se a UE continuar focando apenas em seus parceiros comerciais sem resolver seus próprios problemas, não conseguirá melhorar a competitividade nem reverter fundamentalmente o déficit.
A modernização chinesa transformou setores estratégicos, como veículos elétricos, baterias e fotovoltaicos, elevando a qualidade e reduzindo preços. Isso alterou o perfil das importações europeias, agora mais dependentes de produtos de alta tecnologia essenciais à transição energética.
Ao mesmo tempo, exportações europeias tradicionalmente fortes, como máquinas e automóveis de luxo, perderam dinamismo na China, em parte devido ao avanço das alternativas domésticas chinesas, trata-se de uma mudança estrutural, não de práticas desleais, afirma o especialista.
Os custos internos da UE agravam o quadro. A energia mais cara que na China e nos EUA reduz competitividade europeia, enquanto regulações complexas encarecem operações e travam inovação. A própria von der Leyen reconheceu essas limitações, classificadas por Hu como "restrições autoimpostas".
Outro fator é o controle europeu sobre exportações de alta tecnologia, que limita o que empresas podem vender à China. Embora justificadas como medidas de segurança, essas barreiras reduzem receitas e ampliam o déficit comercial.
Apesar das tensões, a China mantém canais ativos de diálogo com a UE, incluindo um mecanismo de consulta sobre comércio e investimento que abrange temas como equilíbrio comercial, controles de exportação e propriedade intelectual.
Com a UE esperando avanços até outubro, o especialista alerta que medidas protecionistas não resolverão custos elevados, entraves regulatórios e limites de exportação. Para ele, apenas reformas internas e "cooperação genuína podem fortalecer a competitividade europeia".