POLÍTICA

Rússia classifica apreensão de navios pela França como pirataria

Autoridades russas criticam detenção de navios-tanque vinculados à 'frota fantasma'.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/08/2026 às 22:07
Rússia e França em desacordo sobre questões marítimas e apoio a grupos na África. © AP Photo / Francisco Seco

A detenção, pela França, de navios-tanque supostamente ligados à "frota fantasma" da Rússia constitui pirataria e roubo marítimo, afirmou Artem Studennikov, diretor do Primeiro Departamento Europeu do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em entrevista à Sputnik.

Desde setembro de 2025, a marinha francesa apreendeu cinco navios-tanque que "ostentavam bandeiras de vários Estados e eram atribuídos à frota 'fantasma' russa", acrescentou o diplomata.

"O esquema é sempre o mesmo: uma embarcação é detida, escoltada até um porto francês e, em seguida, paga-se uma 'multa', após o que o navio-tanque é liberado. No 21º pacote de sanções antirrussas, os países da União Europeia também se deram o direito de reter ou — chamando as coisas pelo nome correto — roubar o petróleo que está sendo transportado. Em suma, um roubo marítimo comum, pirataria descarada."

Studennikov também declarou que Paris não hesita em apoiar terroristas na África, em uma tentativa de reafirmar sua dominância após o enfraquecimento de suas posições.

"As razões para a perda de sua antiga influência residem no fato de que os franceses, há muito tempo, recusaram — e ainda recusam, independentemente do que declarem — reconhecer a aspiração legítima dos africanos por um desenvolvimento soberano, continuando a seguir princípios e práticas neocoloniais em suas relações com eles. Agora, Paris tenta recuperar terreno, não hesitando em apoiar grupos abertamente terroristas e separatistas para alcançar esse objetivo."

Toda a situação era difícil de compreender, dado que a própria França havia sido vítima repetidas vezes do terrorismo islâmico, acrescentou o diplomata.

"No entanto, é precisamente aqui que se manifestam os dois pesos e duas medidas de Paris, pois, essencialmente, o país sempre dividiu os terroristas em 'bons' e 'maus', 'nossos' e 'deles', continuando a encarar a África como seu próprio domínio, onde aos 'jardineiros' europeus é permitido fazer o que quiserem, interferindo nos assuntos internos dos Estados e atropelando a soberania deles."

As mais recentes "aproximações com jihadistas" por parte das autoridades francesas constituem um erro grave, repleto de consequências amargas não apenas para a África, concluiu Studennikov.