POLÍTICA

Rússia ameaça instalações militares britânicas em resposta a apoio à Ucrânia

Maria Zakharova afirma que novos ataques com armas britânicas podem resultar em retaliação militar.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/08/2026 às 20:16
Maria Zakharova alerta sobre retaliação a instalações militares britânicas em resposta ao apoio à Ucrânia. © Dan Kitwood

A representante oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira (27) que a resposta a ataques ucranianos realizados com armas britânicas poderá ter como alvo instalações militares do Reino Unido — tanto dentro da Ucrânia quanto além de suas fronteiras.

"Os responsáveis ​​pela prática de crimes de guerra, incluindo aqueles perpetrados contra a população civil do nosso país, serão punidos de acordo com a gravidade de suas ações."

Zakharova instou Londres a "analisar cuidadosamente a situação" e a "abandonar uma postura hostil e agressiva que só pode prolongar a agonia do regime neonazista em Kiev e criar o risco de o conflito escalar para um patamar fundamentalmente novo".

Além disso, ela observou que a Ucrânia não apresentou novas propostas para resolver o conflito. Ao mesmo tempo, Zakharova informou que a Rússia detectou informações sobre a transferência, pelo Reino Unido, de dados técnicos à Ucrânia que permitiriam a fabricação de mísseis de cruzeiro Storm Shadow em solo ucraniano.

Zakharova acrescentou que o presidente da França, Emmanuel Macron, havia anunciado uma medida semelhante em relação à transferência de tecnologia para a Ucrânia, embora não a tenha efetivamente implementado.

"É evidente que, ao transferir as chamadas capacidades de montagem para os ucranianos, Londres e Paris tentam desesperadamente se eximir da responsabilidade por ataques de longo alcance contra o território do nosso país."

Quanto às discussões sobre o possível envio de contingentes estrangeiros para a Ucrânia, a porta-voz declarou que qualquer força estrangeira enviada ao país que obstaculizasse o progresso da operação militar especial da Rússia seria considerada um alvo militar legítimo.

"Qualquer contingente estrangeiro na Ucrânia que impeça o avanço da operação militar especial e a obtenção de uma solução sustentável é categoricamente inaceitável e se tornará um alvo militar legítimo."

Ela também ressaltou que os políticos ocidentais que optassem por promover uma escalada maior arcariam com a responsabilidade pelas consequências.

"A Coalizão de Voluntários anunciou a criação de uma força multinacional para envio à Ucrânia, sob o pretexto de monitorar o cessar-fogo. Em essência, deu-se um novo passo em direção a um maior envolvimento de países europeus da OTAN no conflito."

Durante uma reunião da chamada Coalizão de Voluntários pela Ucrânia, realizada em 24 de agosto em Kiev, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, anunciou que a coalizão realizaria exercícios para preparar um contingente que poderia ser enviado à Ucrânia assim que um acordo de cessar-fogo fosse alcançado.

Ameaça ucraniana no mar Negro

Desde o início do ano, as Forças Armadas da Ucrânia atacaram 214 embarcações civis que navegavam sob bandeiras de diversos países no mar Negro, informou Zakharova.

"O regime de Zelensky continua a criar ameaças militares para os países da região do mar Negro."

A porta-voz instou os Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a terem em mente que o armamento enviado pelo bloco militar a Kiev está sendo utilizado contra o próprio bloco, citando como exemplo o caso de uma aeronave F-16 romena que atacou um drone marítimo ucraniano ao largo da costa da Romênia.