EUA exigem compromisso da Otan em defesa europeia
Pentágono revisa presença militar na Europa e cobra mais atuação dos aliados em segurança.
O Pentágono pressionou os aliados dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nesta quinta-feira, 27, a provar que estão intensificando sua defesa da Europa, enquanto Washington desloca sua atenção para desafios de segurança mais próximos de casa e na região do Indo-Pacífico.
Os EUA começaram a reduzir as forças que têm estacionadas na Europa - cerca de 80.000 ainda estão desdobradas - e o Pentágono lançou uma revisão para estabelecer quão profundos devem ser os cortes adicionais.
Uma forte presença dos EUA é fundamental para a capacidade da Otan de deter adversários na Europa, como a Rússia.
Os cortes dependerão de quão efetivamente os aliados europeus e o Canadá respondem a uma demanda dos EUA para reformular a Otan. Isso os veria assumir a defesa convencional da Europa. Os EUA forneceriam apoio, incluindo armas nucleares, apenas se necessário.
Após um briefing na sede da Otan em Bruxelas, o subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, elogiou a Alemanha e a Polônia, bem como os países escandinavos, por seus esforços.
Mas ele disse aos repórteres: "Esperamos ver mais de países como o Reino Unido."
Colby disse que o objetivo de Washington é trazer "a OTAN para uma estrutura mais realista, adequada ao propósito, adequada ao tempo, mais equilibrada. E é nesse espírito que vamos continuar a buscar nossa revisão de postura na Europa."
O Pentágono circulou uma pesquisa buscando respostas por escrito a perguntas sobre como os aliados planejam atender aos objetivos dos EUA.
"Acabamos de receber vários dos questionários, então estamos ansiosos para revisá-los", disse Colby, sem dizer quais países haviam respondido.
A pesquisa inclui demandas por informações não relacionadas à Otan, como se os aliados concederão às forças dos EUA acesso irrestrito a suas bases e espaço aéreo. Alguns na Europa hesitaram quando os Estados Unidos lançaram sua guerra contra o Irã sem consultá-los.
"A Europa tem interesse em garantir que o Irã também não obtenha uma arma nuclear, que é, claro, nosso objetivo", disse Colby. "Precisamos ser capazes de operar efetivamente. Precisamos de previsibilidade."