Ibovespa tem leve alta em dia marcado por cautela e poucos catalisadores
O Ibovespa tocou máximas no fim do pregão desta quinta-feira, na faixa dos 175 mil pontos, mas oscilou de forma tímida (+0,31%, aos 175.135,41 pontos), em dia marcado pelo compasso de espera dos investidores por catalisadores que justifiquem o aumento de exposição a ativos de risco. Na avaliação de operadores e analistas, o mercado segue cauteloso, sem abrir mão de posições defensivas.
"A bolsa tinha um pregão pior no começo do dia, fundamentalmente por conta de Petrobras, que passou a subir forte por conta dos preços do petróleo", afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. "Outras empresas de commodities também passaram a subir, então a gente vê hoje altas na Vale, na Gerdau. E, fundamentalmente, são esses papéis que dão sustentação ao índice."
No caso da Petrobras, os investidores também acompanharam a decisão da Justiça do Distrito Federal de suspender o imposto de exportação de petróleo. As ações da estatal negociadas na B3 foram na mesma direção dos ADRs listados em Nova York.
Como uma das empresas mais valiosas do mundo, a Nvidia ajudou a levar recursos dos alocadores para Nova York, em um movimento de "rotação" das carteiras. A ação da companhia disparou no pregão americano de hoje, em alta de 9%, mesmo desempenho do BDR da companhia negociado na B3.
"Nvidia, com o resultado financeiro muito bom e superando as expectativas, sem dúvida está puxando os recursos para o setor de tecnologia", afirma Rodrigo Alvarenga, sócio da One. "O mercado esperava uma desaceleração mais forte da receita e não foi o que aconteceu. Ainda vamos ver muitos recursos sendo direcionados para IA."
A despeito do movimento favorável da bolsa nas sessões mais recentes, os investidores seguem de olho nos desdobramentos no cenário internacional, em que os sinais dúbios de trégua nos conflitos entre EUA e Irã seguem impulsionando os preços do petróleo e o risco inflacionário nas economias globais.
A isso se somam as crescentes preocupações na frente fiscal brasileira, com a campanha eleitoral já em curso e poucas indicações pragmáticas de como conduzir a agenda fiscal brasileira a partir do ano que vem.
"Nenhum dos candidatos deram direção do que realmente vão fazer", afirma Ricardo Modé, diretor de investimentos da Etti Partners. "Ninguém parece estar com uma agenda tão fiscalista e precisaremos de algum remédio para o Brasil financiar uma dívida cada vez mais alta.