ECONOMIA

Brasil e EUA reativam negociações sobre tarifas, mas sem expectativas imediatas

Após telefonema entre Lula e Trump, Brasil busca acordos visando reduzir sobretaxas norte-americanas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/08/2026 às 05:44
Governo brasileiro busca acordos com os EUA para reduzir tarifas comerciais. © Sputnik / Sputnik Brasil / Guilherme Correia

Governo brasileiro retoma negociações com os EUA para tentar reduzir o tarifaço, mas não espera avanços rápidos. Washington mantém sobretaxas de até 37,5% e só deve apresentar proposta concreta após as eleições, enquanto Brasília prepara possível aplicação da lei de reciprocidade.

O governo brasileiro retomou as conversas com os Estados Unidos sobre o tarifaço, mas não acredita em uma revisão rápida das alíquotas impostas por Washington. As sobretaxas de 25% e 12,5% foram justificadas pelos EUA como resposta a práticas brasileiras que restringiriam o comércio e à falta de fiscalização sobre produtos ligados a trabalho forçado.

Segundo um portal de notícias brasileiro, os negociadores acreditam que qualquer avanço concreto só deve ocorrer após as eleições de outubro.

Brasília aguarda que assessores do presidente norte-americano Donald Trump apresentem uma proposta inicial, definindo exatamente o que esperam do Brasil para iniciar as tratativas. Antes do tarifaço, etanol e tarifas agrícolas estavam no centro das discussões, e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva admite negociar redução da alíquota sobre o etanol norte-americano caso os EUA flexibilizem a entrada do açúcar brasileiro, hoje limitado por cotas e sujeito a tarifas de até 100% fora do volume preferencial.

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, considera pequena a cota anual de 155 mil toneladas com tarifa reduzida. Por isso, qualquer acordo dependerá dos termos apresentados pelos negociadores norte-americanos, especialmente sobre barreiras ao açúcar e ao etanol. A reunião marcada para segunda-feira (31), entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, será o primeiro passo de uma agenda técnica para reorganizar o diálogo.

O telefonema entre Lula e Trump, na semana passada (21), abriu espaço para essa retomada. Na conversa de cerca de 01h20, os presidentes trataram principalmente das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Agora, o Brasil pretende propor um roteiro setorial, começando por bens de capital, depois automotivo e químico, para aprofundar negociações conforme a realidade de cada segmento, segundo a apuração.

A reunião da próxima segunda-feira (31) deve ser apenas preparatória, estabelecendo bases para encontros mais técnicos entre equipes e ministros. Paralelamente, o governo brasileiro iniciou o processo para aplicar medidas de reciprocidade previstas em lei, caso não haja avanço. A mensagem a ser transmitida aos EUA é que o tempo corre, as tarifas já estão em vigor e o Brasil poderá retaliar se considerar necessário.

A lei da reciprocidade permite sobretaxas, suspensão de patentes e outras medidas contra países que imponham barreiras ao Brasil. Interlocutores de Lula afirmam que, sem acordo nos próximos meses, o processo de análise será concluído e o governo terá de decidir sobre a aplicação das medidas, o que aumentaria a pressão sobre Washington.

A aposta do governo brasileiro é que a retomada das negociações técnicas permita ampliar a lista de exceções e, eventualmente, construir um acordo que reduza os efeitos do tarifaço.