SAÚDE

Casos de Febre do Nilo Ocidental: Médicos Pedem Calma

Doença é rara no Brasil, com poucos casos graves, afirmam especialistas.

Por Agência Brasil Publicado em 26/08/2026 às 12:28
Médicos alertam que febre do Nilo Ocidental é rara e não há motivo para pânico.

A febre do Nilo Ocidental não é frequentemente observada no Brasil, embora tenha sido identificada na África há mais de 90 anos. De acordo com o médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Furtado da Costa, a maioria dos casos da doença é leve, e menos de 1% evolui para formas graves.

“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença”, declarou o especialista.

A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, que também está relacionado a doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre, principalmente, através da picada do mosquito Culex, o popular pernilongo, que se contamina ao se alimentar de aves infectadas.

Enquanto a infecção pode não apresentar sintomas, estima-se que aproximadamente 20% das pessoas infectadas sofram manifestações clínicas, que costumam ser leves.

Entre os sintomas que podem surgir estão:

  • febre e mal-estar;
  • falta de apetite;
  • náuseas e vômitos;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular;
  • dor nos olhos;
  • manchas na pele;
  • aumento dos gânglios linfáticos;
  • confusão mental;
  • rebaixamento do nível de consciência;
  • tremores ou convulsões.

Contágio e tratamento

Segundo o médico, os mosquitos que picam aves infectadas podem transmitir a doença ao ser humano. Os sintomas assemelham-se aos das arboviroses, como dengue e zika. Os quadros podem variar desde febre leve até formas mais sérias, levando a encefalite, meningite ou outras complicações neurológicas, exigindo avaliação médica imediata.

Nos casos mais graves, a internação hospitalar pode ser necessária, com a utilização de suporte respiratório e reposição de líquidos, além de cuidados para evitar complicações. O diagnóstico se baseia na avaliação clínica e exames laboratoriais, levando em conta a história de exposição a áreas com a presença do mosquito.

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos antivirais específicos disponíveis para a febre do Nilo Ocidental. O manejo se concentra em tratar os sintomas, que incluem repouso e hidratação, sob a supervisão médica quando necessário.

Uma mulher de 34 anos, residente em Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, são os únicos casos confirmados em São Paulo, conforme informou o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP).

A mulher, que viajou recentemente para a região amazônica, já está recuperada, enquanto a adolescente permanece internada. Esta é a primeira vez que o estado registra casos humanos da doença.

As equipes da prefeitura e do estado estão investigando os casos para determinar os locais da possível infecção e para orientar as ações preventivas, conforme explicou a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini.

O Ministério da Saúde também confirmou dois casos em Santa Catarina, um dos quais resultou em morte, além de um caso suspeito no Piauí. Desse modo, a pasta continua a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e áreas de transmissão.