ECONOMIA

Ibovespa avança após queda do IPCA-15 e investidores estrangeiros voltam

O índice atingiu o maior nível em três semanas, impulsionado por otimismo no exterior.

Por Estadao Conteudo Publicado em 26/08/2026 às 12:25
Ibovespa Depositphotos

A deflação mais intensa que a esperada em agosto e o otimismo no exterior com a possibilidade de uma saída diplomática para a reabertura do Estreito de Ormuz dão força ao Ibovespa, que atingiu o maior nível em três semanas durante a primeira etapa do pregão. O avanço do índice, porém, é limitado por um leve aumento das expectativas de alta dos juros dos Estados Unidos, após dados do país mostrarem sinais de atividade e inflação maiores que as expectativas.

Por volta das 12 horas, o Ibovespa subia 0,32%, a 175.142 pontos, mas distante da máxima do dia, de 176.296 pontos (+0,98%), o maior nível desde 6 de agosto.

A alta ocorria mesmo diante de pequenos avanços nos vértices da curva de juros brasileira. O que prevalecia - reforçado pela queda de 0,40% do IPCA-15 em agosto, ante previsão de recuo de 0,30% - era a percepção crescente de que o Banco Central cortará a Selic em setembro.

As opções de Copom apontavam para 90% de chance de uma redução de 0,25 ponto porcentual da taxa básica no mês que vem.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, ressalta que o Ibovespa sobe hoje mesmo com o avanço dos juros futuros porque as taxas já haviam passado por ampla descompressão em sessões anteriores. Além disso, diz ele, há um "ambiente positivo para o Brasil" após a forte saída de capital estrangeiro da Bolsa em agosto.

Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos, ressalta que o mercado de ações brasileiro está surfando uma "inércia positiva", após cair por onze pregões seguidos nas primeiras semanas de agosto, com o investidor estrangeiro retirando dinheiro da Bolsa. "O gringo estava tirando dinheiro de caminhão da Bolsa. Na sexta-feira o fluxo voltou a entrar", diz.

Ele acrescenta que há sinais de grandes fundos comprando ações - os investidores institucionais colocaram R$ 14,3 bilhões na Bolsa em agosto até a última segunda-feira - , e que isso estaria relacionado à expectativa de uma disputa eleitoral acirrada, com chance de troca de governo.