Argentina busca apaziguar tensões com Chile sobre o Estreito de Magalhães
Chanceler argentino reafirma soberania chilena após declarações de chefe militar argentino.
O governo argentino atuou nesta terça-feira, 25, para conter um atrito diplomático com o Chile após a repercussão, em Santiago, de declarações do chefe da Força Aérea da Argentina sobre soberania no Estreito de Magalhães.
Em comunicado, a chancelaria argentina ressaltou a relevância da relação bilateral e lembrou que tratados em vigor definem as águas do estreito, no extremo sul do continente, como de jurisdição chilena.
No fim de semana, o chefe da Força Aérea, Gustavo Javier Valverde, afirmou em entrevista que "Magalhães, o sul, a passagem de Drake" seriam "soberania" e defendeu presença na região por considerá-la "chave bioceânica". No mesmo programa, ele disse que a relação militar com o Chile era boa. O Estreito de Magalhães é a passagem marítima que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico no extremo sul da América do Sul.
Após a reação às falas, o chanceler chileno Francisco Pérez Mackenna declarou à imprensa local que fazia "um severo chamado" para que autoridades estrangeiras sejam responsáveis e "não confundam seus cidadãos", acrescentando que o Estreito de Magalhães é "indiscutivelmente chileno".
Para esfriar o episódio, a Argentina afirmou que sua posição é a fixada pelo Tratado de Limites de 1881 e pelo Tratado de Paz e Amizade de 1984. Segundo Buenos Aires, ambos reconhecem a soberania chilena sobre as águas do estreito e são considerados definitivos.
O presidente chileno, José Antonio Kast, avaliou positivamente a resposta do governo de Javier Milei. "Agradecemos as declarações do governo argentino, reconhecendo a soberania do Estreito de Magalhães, que é chilena", disse à imprensa. Apesar disso, a chancelaria do Chile entregou hoje uma nota de protesto em Buenos Aires para registrar a insatisfação com os comentários.
Argentina e Chile já tiveram disputas em razão da extensa fronteira comum. No fim dos anos 1970, chegaram a ficar perto de um confronto armado por divergências sobre o Canal de Beagle, também no extremo sul, cuja soberania hoje é compartilhada.