ECONOMIA

Reunião entre Brasil e EUA abordará tarifas comerciais

Ministro e representante americano se encontrarão virtualmente na próxima segunda-feira (31).

Por Agência Brasil Publicado em 25/08/2026 às 16:41
Reunião virtual entre Brasil e EUA para discutir novas tarifas comerciais.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, realizarão uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro foi confirmado pelo ministério.

A retomada das tratativas foi acertada durante telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira (21). A conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial. Os dois líderes abriram um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

Durante a ligação, ainda de acordo com o Planalto, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais, afirmando que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, defendendo o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contacto entre as equipes dos dois governos.

Tarifaço

Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil, após cerca de um ano de análise.

As taxas atingiram exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

O USTR justificou suas taxas, alegando que certas práticas adotadas pelo Brasil oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Uma sobretaxa adicional de 12,5% também foi aplicada a mais produtos, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com isso, as novas tarifas em vigor desde o final do mês passado atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano, de acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O governo brasileiro já havia apresentado um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial de Comércio (OMC), argumentando que as tarifas aplicadas são "inconsistentes" com as regras definidas pela entidade. Em resposta, os EUA aceitaram o pedido para participar das consultas no âmbito da OMC.

Desde o início das taxações por parte do governo Trump, o Brasil tem ressaltado que, na relação comercial entre os dois países, os EUA são superavitários, ou seja, vendem mais do que compram. Na nota que anuncia a abertura do processo de reciprocidade econômica, o governo brasileiro reafirma que seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.