Feirante preserva tradição familiar em Maceió
Marcelo dos Santos, com 46 anos, mantém vivo o legado de seu pai no comércio de cereais na capital alagoana.
Antes mesmo de imaginar que aquele lugar faria parte do seu futuro, Marcelo dos Santos já estava ligado à história do comércio popular de Maceió. Aos 8 anos, ele chegou à capital vindo de Porto Calvo, no interior de Alagoas, acompanhando o pai, que estava entre os primeiros comerciantes do mercado que começava a se formar na região. Décadas depois, Marcelo continua no mesmo ramo e mantém vivo um negócio que passou de pai para filho.
Hoje, aos 46 anos, ele segue trabalhando com cereais e lembra com carinho da infância vivida entre os corredores do mercado. Foi ali que fez amizades, acompanhou o crescimento da comunidade e aprendeu, na prática, a trabalhar no comércio.
“Eu cheguei com 8 anos e cresci junto com ele, sempre acompanhando. Acompanhei todo o procedimento, toda a etapa que veio passando”, lembra.
A história de Marcelo também se mistura à transformação da região. Segundo ele, quando chegou, o conjunto ainda era pequeno, mas o mercado foi crescendo junto com a comunidade.
No comércio, ele mantém a tradição da família. Farinha de mandioca, feijão de corda, fava e amendoim estão entre os produtos vendidos no estabelecimento. Para Marcelo, os alimentos também carregam um pouco das suas raízes do interior.
“É uma característica mesmo de interior. O pessoal chega aqui e diz: ‘Eita, estou me sentindo um pouquinho no interior’”, conta.
Há cerca de 20 anos, Marcelo assumiu o negócio da família, depois que o pai precisou se afastar por problemas de saúde. Desde então, segue trabalhando de domingo a domingo e diz que não se imagina longe da feira.
“Para trabalhar com esse ramo esse tempo todinho, se não gostar, não fica não. A jornada é um pouco longa, mas eu gosto”, afirma.
E é justamente essa relação de proximidade que faz das feiras e dos mercados públicos espaços que vão além da compra e venda. São lugares onde comerciantes conhecem os clientes pelo nome, famílias criam vínculos e histórias passam de uma geração para outra.
Tradição que movimenta a cidade
Celebrado nesta terça-feira (25), o Dia do Feirante reconhece o trabalho de quem mantém as feiras livres como espaços de comércio, convivência e encontro. Em Maceió, esses trabalhadores fazem parte da rotina de bairros inteiros e ajudam a aproximar produtores, comerciantes e consumidores.
O trabalho começa cedo e exige disposição. Entre a montagem das bancas, a organização dos produtos e o atendimento aos clientes, os feirantes mantêm viva uma tradição que atravessa gerações. É também uma atividade que movimenta a economia dos bairros e aproxima o consumidor de produtos frescos e típicos da cultura alagoana.
Para valorizar esse comércio e oferecer melhores condições aos permissionários e consumidores, a Prefeitura de Maceió vem investindo na construção e na requalificação de mercados públicos em diferentes regiões da capital.
Atualmente, são quatro grandes projetos de mercados públicos em diferentes etapas: o Mercado do Tabuleiro, o novo Mercado Maceió, na Levada, o Mercado do Benedito Bentes e o Mercado do Jacintinho. Mais do que obras, os investimentos representam melhores condições para quem vive do comércio e ajudam a preservar a relação dos maceioenses com esses espaços.