Canadá reafirma não buscar acordo comercial com EUA a qualquer custo
Primeiro-ministro canadense critica tarifas impostas pelos EUA e rejeita pressões por um acordo rápido.
O governo do Canadá nunca teve a intenção de concluir um acordo com os Estados Unidos a qualquer preço, afirmou nesta segunda-feira (24) o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. A declaração ocorre dias após o governo canadense anunciar tarifas de reciprocidade contra os Estados Unidos, que aplicaram uma taxa de 50% aos produtos do país.
"O objetivo de nossas negociações comerciais com os EUA sempre foi conseguir o melhor acordo para os canadenses. Nunca buscamos um acordo a qualquer preço ou dentro de qualquer prazo", afirmou Carney em Lévis, na província de Quebec.
Embora avanços importantes tenham sido registrados na semana passada, "a dinâmica se inverteu", acrescentou o primeiro-ministro. Segundo ele, Ottawa não pode mais aceitar as condições oferecidas nem fazer as concessões exigidas pelos negociadores norte-americanos.
As declarações de Carney ocorreram no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o Canadá estará sujeito, a partir de 1º de janeiro de 2027, a tarifas de 50% sobre automóveis, caminhões, autopeças e aço.
Na última sexta-feira (21), as negociações comerciais entre os dois países fracassaram. Ottawa, que suspendeu as conversas com Washington, afirmou que a decisão ocorreu devido a mudanças de "última hora" apresentadas pelos negociadores norte-americanos, consideradas "inaceitáveis" e que, segundo o governo canadense, poderiam violar a soberania do país.
Posteriormente, a mídia local informou, citando um funcionário da Casa Branca, que o impasse teria sido provocado por mudanças de última hora introduzidas pela equipe canadense, contrariando a versão apresentada por Ottawa.
Desde o fim de semana, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses no valor de US$ 20 bilhões (R$ 103,1 bilhões). Carney disse que vai responder às novas tarifas "dólar por dólar" com medidas de retaliação, cuja entrada em vigor está prevista para 8 de setembro.