POLÍTICA

Lula reforça diálogo com Trump e critica postura de assessores dos EUA

O presidente brasileiro busca uma relação comercial respeitosa, apesar das divergências tarifárias.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/08/2026 às 21:01
Lula discute relação com os EUA em meio a novas tarifas impostas por Washington. © Foto / Ricardo Stucker / Presidência do República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que pretende manter uma relação "civilizada" com os Estados Unidos, apesar das divergências provocadas pelas novas tarifas de 27,5% impostas por Washington sobre diversos produtos brasileiros no último mês.

Em entrevista exclusiva ao Domingo Espetacular, da TV Record, Lula também avaliou que o presidente estadunidense Donald Trump é mais aberto ao diálogo do que integrantes de sua equipe e defendeu uma relação comercial de longo prazo entre os dois países.

O presidente brasileiro afirmou que a conversa telefônica que teve com Trump na última sexta-feira (21) foi positiva e destacou que, no mesmo dia, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, entrou em contato com o ministro brasileiro para tratar da realização de uma reunião.

Segundo o presidente, as alegações utilizadas pelo governo norte-americano para justificar as novas sanções contra produtos brasileiros são infundadas. As medidas foram associadas por Washington a questões como desmatamento, acordos preferenciais de comércio, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos produzidos com trabalho forçado.

Ao comentar a relação com a Casa Branca, Lula afirmou que não pretende transformar as divergências em um conflito entre os dois países e disse que o Brasil continua disposto a cooperar com os Estados Unidos em áreas de interesse comum.

"Quero manter uma relação civilizada com os EUA. Não sei se é o governo, o Trump ou a assessoria do Trump; tenho a impressão que ele é bem melhor que a assessoria", afirmou.

Embora as conversas com o republicano tenham sido sempre positivas, Lula acredita que integrantes do segundo escalão do governo norte-americano adotam medidas que considera incompatíveis com o tom mantido entre os dois líderes.

Durante o anúncio do tarifaço, o secretário de Estado Marco Rúbio, uma das principais autoridades da Casa Branca, chegou a culpar Lula pela situação, quando afirmou que o líder brasileiro "priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar" do país.

"Nossa conversa é civilizada, mas no segundo escalão toma atitudes impensáveis", afirmou Lula.

O presidente também mencionou o potencial de cooperação na área de terras raras, mas ressaltou que o Brasil não pretende limitar sua atuação à exportação de matérias-primas. Segundo Lula, o objetivo é desenvolver a produção e agregar valor aos recursos dentro do país. "Não vamos ser exportador de matérias-primas, vamos produzir aqui", complementou.

Lula afirmou ainda que o Brasil está disposto a trabalhar em conjunto com os Estados Unidos e resumiu o objetivo da relação comercial entre os dois países: "Queremos um comércio sério com os EUA".