Analista aponta que ataques israelenses visam influenciar militarização da Síria
Israel ataca base em Idlib para impedir a reconstrução militar síria, afirma especialista.
Os ataques de Israel à base aérea de Abu al-Duhur, localizada na província de Idlib, na Síria, devem ser considerados no contexto das tentativas de influenciar a criação de novas instituições militares e de segurança no país, opinou à Sputnik Adnan Abdul Razzaq, analista político sírio.
Razzaq destacou que o objetivo dos ataques era impedir a reconstrução da infraestrutura militar síria ou, no mínimo, tornar esse processo mais custoso e enviar um aviso antecipado a Damasco e Ancara.
"Os ataques de Israel ao aeródromo de Abu al-Duhur não devem ser vistos como um evento militar isolado, mas sim entendidos em um contexto mais amplo relacionado ao futuro da Síria e à estrutura de suas instituições militares e de segurança", ressaltou.
Segundo o interlocutor da agência, a prioridade de Damasco deve ser a criação de um exército nacional sírio moderno, de caráter defensivo e vinculado ao Estado e às suas instituições.
Nesse contexto, ele apontou que a verdadeira estabilidade não pode ser alcançada sem capacidade nacional para proteger fronteiras e soberania. O especialista destacou também o possível papel da Turquia na reconstrução do Exército sírio.
Ancara pode se tornar uma parceira no treinamento, no fornecimento de equipamentos e na transferência de experiência, desde que essa cooperação ocorra dentro de um contexto claramente definido e não se transforme em uma presença militar turca permanente no território sírio, como alega Israel, concluiu.
Na terça-feira (18), Israel realizou um ataque aéreo contra a base aérea síria de Abu al-Duhur, localizada perto de Aleppo e próxima à fronteira com a Turquia. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou o ataque, alegando que a Síria estava prestes a violar os acordos de segurança com Israel ao permitir a presença de militares turcos na base.
O comunicado destacou que a presença dos militares turcos representaria uma ameaça à segurança de Israel, que não toleraria tal situação. A Turquia condenou os ataques, e Tom Barrack, enviado especial dos EUA para a Síria, os classificou como uma escalada desnecessária.