TECNOLOGIA

Governo anuncia plano de Inteligência Artificial com supercomputadores e nuvem nacional

Iniciativa inclui parceria com a China e investimentos de R$ 2,3 bilhões para fortalecer a tecnologia brasileira.

Por Estadao Conteudo Publicado em 20/08/2026 às 18:31
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O governo federal lançou nesta quinta-feira, 20, novas medidas do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) que incluem a aquisição de dois supercomputadores, uma parceria com a China para desenvolvimento de modelos de IA e formação de profissionais, e a estruturação de uma nuvem brasileira para armazenamento de dados.

A iniciativa, de acordo com o governo, tem o objetivo de reduzir a dependência tecnológica do Brasil do exterior e viabilizar a capacidade de processamento nacional, favorecendo pesquisas científicas e atendendo o setor produtivo. O pacote reúne medidas que somam pouco mais de R$ 2,3 bilhões.

O governo tem enfatizado a importância de diminuir a dependência de países desenvolvidos em relação à tecnologia.

Supercomputador

O edital para a compra do supercomputador prevê o investimento de R$ 1 bilhão para adquirir um modelo que figure entre os dez maiores do mundo em capacidade de processamento de IA. A máquina terá capacidade de 7,2 mil petaflops, ou seja, poderá realizar cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo.

O supercomputador será instalado no Rio Grande do Norte, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, faz visita nesta quinta-feira, 20. A escolha do Estado justifica-se pela disponibilidade de capacidade energética.

A tecnologia poderá ser utilizada pelo governo, universidades e empresas. Um comitê de governança determinará os critérios de seleção dos projetos a serem priorizados.

Nuvem brasileira

Entre os anúncios está a estruturação da Nuvem Brasileira para armazenamento de dados utilizando tecnologia nacional. O sistema deve operar em parceria entre o setor público e privado. O projeto, ainda inicial, começará com uma consulta ao mercado para avaliar a capacidade técnica da indústria nacional em oferecer alternativas.

A intenção é desenvolver um software brasileiro em colaboração com empresas nacionais para proteger os dados. A proposta será coordenada pelo Ministério da Gestão e Inovação, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Desde 2023, o Brasil conta com a Nuvem de Governo, que armazena dados de órgãos federais em território nacional. Contudo, essa nuvem utiliza tecnologia de empresas internacionais, mas que estão fisicamente localizadas sob controle do Estado Brasileiro, com gestão realizada por órgãos nacionais. Já a Nuvem Brasileira terá seu software inteiramente desenvolvido no Brasil.

Parceria com a China

O plano do governo ainda inclui a instalação de outro supercomputador no Rio de Janeiro. Esta infraestrutura será implementada em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek a partir de julho de 2027, com custo previsto de R$ 1,2 bilhão em cinco anos.

A proposta é que este polo sirva ao desenvolvimento de inteligência artificial em português, com a expectativa de formar três mil profissionais durante esse período. O governo está aberto a novas parcerias, especialmente na América Latina.

Outras medidas

O Brasil também deseja impulsionar a fabricação de chips de arquitetura aberta, conhecidos como RISC-V. A utilização desse formato elimina a necessidade de pagamento de taxas de licença, sendo gratuito. A iniciativa será realizada em parceria com a Espanha e deve contar com investimentos de cerca de R$ 125 milhões em quatro anos.

Além disso, o governo planeja a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O centro vai se dedicar ao desenvolvimento de pesquisas e insumos sobre padrões de segurança para o uso dessa tecnologia no país, com investimentos de cerca de R$ 50 milhões em dois anos.

Segundo o governo, não há previsão de que esse centro exerça qualquer tipo de ingerência sobre grandes plataformas. Inicialmente, ele se dedicará a identificar as melhores práticas relacionadas à inteligência artificial e a monitorar a expansão do uso dessa tecnologia no Brasil.