ECONOMIA

Ibovespa encerra sequência de quedas e avança com fluxo positivo do exterior

Índice se beneficia da decisão do Tesouro dos EUA de aumentar recompra de títulos, atraindo investidores para mercados emergentes.

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/08/2026 às 17:55
Ibovespa Depositphotos

Acompanhando outros ativos de risco, o Ibovespa interrompeu nesta quarta-feira, 19, a maior sequência de quedas em três anos, pautado pelo aumento do fluxo global após a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de realizar pelo menos o dobro de recompras de títulos.

O anúncio aumenta a procura por títulos norte-americanos, puxando os preços para cima e as taxas para baixo. Isso estimula, em outra ponta, os investidores globais a procurar outros mercados de maior risco, caso dos emergentes.

No fim do dia, o Ibovespa se afastou das máximas na faixa dos 170 mil pontos, mas manteve o ritmo positivo, carregado pelas blue chips.

As ações mais líquidas da bolsa, como Petrobras, Vale e o setor bancário, fecharam com altas, impulsionando o índice aos 167.830,27 pontos, avanço de 0,90%, em dia de giro relativamente mais contido, ao redor de R$ 18 bilhões.

"Quando você tem um anúncio como o do Tesouro da maior economia do mundo, onde os títulos estavam garantindo uma rentabilidade acima da média dos últimos anos, isso faz o capital migrar, principalmente para os emergentes", afirma Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. O EEM, maior ETF ligado a ações emergentes, subiu 1,16% no dia.

Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, afirma que a alta do dia está longe de representar uma reversão de tendência. Segundo ele, a continuidade do ambiente geopolítico desfavorável à tomada de risco, com os conflitos inacabados entre EUA e Irã no Oriente Médio, seguem determinantes para o fluxo estrangeiro para mercados mais arriscados.

A renda variável brasileira também continua sujeita ao futuro da política monetária e das decisões econômicas a partir do ano que vem no Brasil, após as eleições. Os especialistas ponderam que o cenário macro segue se deteriorando, com desancoragem das expectativas de inflação, preocupações com a agenda fiscal e com a trajetória de juros.