Colômbia limita ajuda humanitária após terremoto a aliados da direita
Após terremoto devastador, governo restringe operações apenas a países aliados como EUA e Israel.
Um cenário de devastação tomou conta de cidades como Pereira, Chocó e Cali após o terremoto de magnitude 7,4 atingir a Colômbia e ser sentido inclusive em cidades brasileiras como Manaus. A tragédia ocorreu apenas três dias após a posse do novo presidente, que precisou decretar estado de emergência.
Até o momento, foram registradas quase 300 mortes, com pouco mais de 3,9 mil pessoas feridas, pelo menos 14,4 mil casas destruídas e outras 81,5 mil pessoas atingidas, conforme o último balanço divulgado pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD). Sem experiência no setor público, Abelardo De la Espriella precisou, inclusive, nomear o novo diretor do órgão colombiano em meio ao desastre.
Além disso, o novo governo restringiu a ajuda humanitária: somente as equipes estrangeiras de Israel, El Salvador, Estados Unidos e Equador foram liberadas para atuar no país, enquanto a oferta de países como México e Brasil foi rejeitada. O especialista em história da Colômbia Eduardo Gomes afirma que a decisão já reflete a nova política externa do governo, diametralmente oposta à do antecessor Gustavo Petro, que chegou a romper relações diplomáticas com Israel por conta do conflito na Faixa de Gaza.
Já o pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), Matheus Petrelli, afirma que a resposta do governo colombiano após os terremotos mostrou "uma certa desorganização institucional". A situação, segundo ele, é reflexo principalmente do rompimento do processo de transição com o governo Gustavo Petro após atritos. Na ocasião, De La Espriella acusou o antecessor de tentativa de golpe de Estado e corrupção.