Engenheiro deixa carreira corporativa para cuidar da mãe e transforma experiência em livro sobre os desafios do cuidado familiar
"Todo Tempo é para Viver", de Clovis Salomon, chega ao mercado editorial combinando relato autobiográfico e guia de referência sobre uma realidade que ganha espaço nas famílias brasileiras
Em 2022, o engenheiro e empresário Clovis Felisberto Salomon tomou uma decisão que mudaria sua rotina, sua carreira e a maneira como enxergava o envelhecimento: deixou a vida corporativa para cuidar da mãe, Olga, em casa. O que começou como uma necessidade familiar se transformou, quatro anos depois, em livro. Recém-lançado, Todo Tempo é para Viver transforma essa experiência em uma narrativa que combina memória, reflexão e um guia de referência sobre os desafios do cuidado domiciliar.
Com 211 páginas, a obra chega ao mercado editorial em um momento em que o envelhecimento da população brasileira amplia também uma questão ainda pouco discutida: quem cuida de quem envelhece? Para muitas famílias, a resposta continua sendo construída dentro de casa, muitas vezes de forma improvisada, sem preparação e com forte impacto sobre a rotina profissional, financeira e emocional de quem assume a responsabilidade pelo cuidado.
É nesse espaço entre a experiência pessoal e uma questão social cada vez mais presente que Salomon constrói o livro. Em vez de apresentar uma fórmula para o cuidado, o autor parte da própria trajetória para registrar decisões, dificuldades, descobertas e soluções encontradas pela família ao longo dos anos em que Olga passou a depender de cuidados contínuos.
“Quando comecei a cuidar da minha mãe, não existia um manual. Nossa família foi aprendendo conforme as situações apareciam. O livro nasceu dessa experiência e da vontade de organizar o que vivemos, para que outras famílias possam encontrar referências e, principalmente, perceber que não estão sozinhas”, afirma Clovis Salomon.
A história de Olga ocupa lugar central na obra. Professora, advogada e gestora pública, ela é apresentada não apenas a partir das limitações impostas pelo envelhecimento e pela dependência, mas também por sua trajetória, personalidade, escolhas e memórias. O cuidado, nesse contexto, deixa de ser tratado exclusivamente como uma questão de saúde e passa a envolver identidade, autonomia, afeto e qualidade de vida.
A experiência profissional do autor também atravessa o relato. Com formação em engenharia civil e trajetória ligada à gestão de processos corporativos e hospitalares, Salomon levou para dentro de casa ferramentas de planejamento e organização. Entre elas estão um “prontuário afetivo”, criado para reunir informações importantes sobre a mãe; um cardápio ilustrado, que ajudava a preservar sua autonomia nas escolhas; e orientações para a adaptação da residência às necessidades de uma pessoa com mobilidade reduzida.
O resultado é uma obra que transita entre dois campos. De um lado, está a história real de uma família que precisou reorganizar a própria vida diante do envelhecimento e da dependência. De outro, um apêndice chamado “Guia de Referência”, construído a partir das situações efetivamente vividas por Clovis e sua família no cuidado domiciliar de Olga.
A proposta, no entanto, não é oferecer um manual universal. O próprio livro ressalta que o guia se restringe à experiência daquela família e não deve ser utilizado como orientação para outros contextos. A preocupação reforça uma das características centrais da obra: compartilhar uma vivência sem transformá-la em receita.
Da carreira corporativa à rotina do cuidado
A mudança de trajetória vivida pelo autor é um dos elementos que ajudam a dimensionar o impacto provocado pelo envelhecimento de um familiar. Ao deixar temporariamente a carreira para assumir os cuidados com a mãe, Clovis passou a experimentar uma rotina que envolve decisões aparentemente simples, mas que podem alterar profundamente a dinâmica de uma família: quem acompanha consultas, como adaptar a casa, como organizar medicamentos e alimentação, como preservar a autonomia do idoso e como dividir responsabilidades entre os familiares.
São questões que, segundo o autor, raramente aparecem quando uma família começa a lidar com a dependência de um parente.
“Cuidar não significa apenas administrar medicamentos ou acompanhar consultas. Existe uma dimensão emocional, afetiva e até operacional que muitas vezes ninguém ensina. É preciso reorganizar a casa, a família, o trabalho e a própria maneira de enxergar aquela pessoa”, diz Salomon.
O livro também lança luz sobre um aspecto menos visível dessa realidade: o impacto sobre quem cuida. A reorganização profissional, a sobrecarga, a necessidade de criar redes de apoio e os conflitos decorrentes da divisão de responsabilidades fazem parte da experiência narrada pelo autor.
Nesse sentido, Todo Tempo é para Viver se aproxima de uma discussão que ultrapassa a história individual de Clovis e Olga. À medida que o Brasil envelhece, o cuidado de longa duração tende a ocupar um espaço maior nas decisões das famílias, empresas e políticas públicas. A obra parte de uma casa específica para colocar em pauta uma experiência que pode se tornar cada vez mais comum.
Mais do que registrar os últimos anos da vida de sua mãe, Clovis Salomon transforma a experiência em uma tentativa de preservar aquilo que considera essencial no processo de cuidar: a pessoa não desaparecer atrás da condição de paciente.
O título do livro resume essa perspectiva. Todo Tempo é para Viver não trata apenas do tempo dedicado ao cuidado, mas da necessidade de continuar vivendo dentro dele — tanto para quem recebe assistência quanto para quem assume a responsabilidade por oferecê-la.
O livro está disponível no site oficial da obra, na Amazon, no Mercado Livre e na Livraria Insight.
Serviço
Todo Tempo é para Viver
Autor: Clovis Felisberto Salomon
Editora/Livraria: Insight
Número de páginas: 211
Onde encontrar: site oficial, Amazon, Mercado Livre e Livraria Insight
Instagram: @clovisfsalomon
Site oficial: https://todotempoeparaviver.com.br/