Operação Solo Sagrado desarticula comércio ilegal de ouro
Ação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e MPF cumpre 10 mandados em Mato Grosso e Rondônia.
A Receita Federal informou nesta terça-feira (18) que participou da Operação Solo Sagrado , em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, para a desarticulação de suposta organização criminosa que atuava na extração e comércio ilegal de ouro. A operação cumpre 10 mandatos de busca e apreensão nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, autorizados pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Cáceres/MT.
Participam da ação seis auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil e sete analistas-tributários da Receita Federal do Brasil, além de 30 policiais federais.
Segundo o órgão, "as medidas cumpridas nestes dados têm como objetivo interromper o fluxo financeiro da organização, apreender elementos de prova, identificar novos integrantes da cadeia criminosa e recuperar ativos provenientes da exploração ilegal de recursos minerais".
A investigação contou com a participação integrada da Receita, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, permitindo o cruzamento de informações policiais, bancárias, fiscais, patrimoniais e telemáticas. De acordo com as investigações, foi relevada uma estrutura criminosa que atuava desde o financiamento e suporte logístico à atividade garimpeira até a circulação e comercialização do ouro.
Apenas um dos núcleos financeiros investigados movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025, além de terem sido identificados mais de R$ 3,5 milhões em coletas de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais, estruturas que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
Os pesquisadores identificaram que o esquema funcionava de maneira articulada: o ouro era adquirido diretamente de produtores ou intermediários vinculados à atividade garimpeira, passando posteriormente por diferentes agentes da cadeia econômica até alcançar estruturas formalmente envolvidas no mercado mineral. Nesse percurso, há promessas de utilização de cooperativas para verificar a aparência de origem lícita ao minério, permitindo que o ouro extraído ilegalmente fosse comercializado posteriormente de forma aparentemente regular.
A estrutura criminosa depende de uma complexa logística para manutenção das frentes de exploração, envolvendo escavadeiras hidráulicas, caminhões-prancha, combustível, peças, oficinas e transporte de equipamentos. Apenas em relação à aquisição de combustíveis, foram identificadas coleções de operações financeiras com valores compatíveis com o abastecimento de maquinário empregado em atividades de mineração.
A dimensão da estrutura operacional foi realizada durante a fiscalização realizada na Terra Indígena Sararé , quando uma escavadeira hidráulica pertencente a uma das empresas investigadas foi localizada em plena atividade de garimpo ilegal. O equipamento foi apreendido e inutilizado no local, tendo sido posteriormente aplicado multa administrativa superior a R$ 3 milhões .