DESENVOLVIMENTO

Moradores do Santos Dumont celebram investimentos e melhorias na comunidade

Infraestrutura e saúde são destaque nas ações que transformam o cotidiano da população local

Por Prefeitura de Maceió Publicado em 17/08/2026 às 11:13
Moradores comemoram melhorias em saúde e infraestrutura no Santos Dumont em Maceió. Beto Macário/Secom Maceió

Há bairros que fazem fronteira com outras dimensões territoriais e populacionais maiores e terminam “engolidos” por eles. É o caso de Santos Dumont, na parte alta de Maceió. Com 59 mil habitantes, ele faz divisão com as grandes Cidade Universitária, Clima Bom e Tabuleiro do Martins que, juntos, somam quase 230 mil habitantes.

Coincidência ou não, o Santos Dumont ficou à margem de políticas públicas estruturantes desde sua fundação, em 2000. Apenas a partir de 2022, passou a receber intervenções do poder público municipal, capazes de alterar esse cenário e desenvolver o desenvolvimento do lugar conhecido até então por abrigar o Aeroclube e o Centro de Abastecimento de Alagoas (Ceasa).

Foi no bairro que leva o mesmo nome do pai da aviação, que a atual gestão da Prefeitura de Maceió estreou o maior programa de ações para a Educação Infantil de Alagoas, utilizado como modelo por outros estados do Brasil. Inaugurado em 2024, o Gigantinhos Santos Dumont tem capacidade para atender 1.500 crianças em tempo integral, com seis refeições diárias, playground, berçário, cozinha industrial e todas as salas climatizadas. Hoje, Maceió já tem 20 Gigantinhos construídos, que totalizam 22 mil vagas em creches.

Ainda na infraestrutura, os moradores comemoram outra grande conquista: o fim do convívio com a poeira e a lama, depois da entrega de 44 ruas pavimentadas no bairro. "Era tudo no barro. Se chovesse, criava-se lama; se fizesse sol, a poeira se instalava. Por anos, parecia que não morava ninguém na minha rua, porque o asfalto não chegava. Era um verdadeiro caos", lembra Márcia Oliveira, que mora na região há nove anos.

O Santos Dumont se localiza às margens da BR-104 e abriga 384 famílias contempladas pelos conjuntos de habitações populares Mário Peixoto I e II, entregues pela atual gestão do Município. Entre as pessoas sorteadas com as chaves dos apartamentos, 80% são mulheres chefes de família ou vítimas de violência doméstica, realidade que a dona de casa Nina Félix, de 62 anos, aconteceu em um casamento de duas décadas.

Nina, assim como mais de 13 mil pessoas no Santos Dumont, frequenta a Unidade Básica de Saúde (UBS) João Macário. Ela não imaginava que ali, no mesmo lugar em que se aplicassem vacinas, realizassem testes rápidos, trocassem curativos e cuidassem de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, também encontraria o atendimento psicológico que a levou a descobrir o termo “violência doméstica”.

A dona de casa Nina Félix mora há quase 40 anos no Santos Dumont e frequenta a unidade de saúde desde uma inauguração, em 2010. “Eu utilizo muito a farmácia do posto, é aqui que pego remédio mês todo. Também faço citologia periódica com a enfermeira Daniela, que é maravilhosa. A médica, minha clínica doutora Carol, também é excelente”, afirma.

Nina Félix só tem elogios para fazer à unidade de saúde da região. Foto: Beto Macário/Secom Maceió

Seja pelo tempo que frequenta a unidade como paciente, seja pelo clima familiar que a gestão do posto faz questão de preservação, a verdade é que Nina conhece de cor e salteado o nome de cada profissional da unidade de saúde, como se integrasse sua família. No entanto, tem um nome que ela menciona repetidamente. "Ainda tem uma psicóloga, que é a doutora Rosângela. Ela me ajudou bastante na época que eu precisei. Se não fosse ela, acho que tinha acontecido o pior na minha vida", recorda.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) João Macário recebe em média mais de duas mil pessoas por mês para atendimentos clínicos, vacinação, testes rápidos, farmácia, consulta odontológica e atendimento psicológico, realizados nas manhãs de segunda à sexta-feira, com a 'doutora Rosângela'. Foi através desse serviço de saúde mental, no posto de atenção primária no Santos Dumont, que Nina Félix se livrou de um mal que vitima uma mulher a cada 44 minutos no Brasil, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Com a doutora, eu não descobri o que era violência doméstica, mas foi a virada de chave para eu começar a entender o que eu sofria. Também aprendi a respirar, a me excitar nos momentos desesperadores e a dormir melhor. Ainda com a ajuda da doutora Rosângela passei a receber um acompanhamento mais direcionado junto aos profissionais do Caps e a ter forças para me livrar do abusador. A ela serei eternamente grata”, enfatiza Nina Félix.

Dignidade através da reforma

A UBS João Macário integrou o plano de ação da Prefeitura de Maceió que reformou todos os postos da cidade. Inaugurada em abril de 2024 e com investimento de R$ 1,5 milhão, a nova unidade do Santos Dumont possibilitou ampliar e modernizar o atendimento na ponta. "Nós não apenas conseguimos ampliar o número de atendimentos, mas deixamos a nossa assistência mais comprometida. Hoje não temos filas e as pessoas atendem no mesmo dia", destacou a gerente do posto, Maria Telma.

A UBS João Macário atende 100 pessoas por dia. Foto: Beto Macário/Secom Maceió

A reforma também possibilitou que a comunidade e a equipe técnica do posto tivessem condições de trabalho, ou que antes dos investimentos feitos pela gestão não houvesse. A UBS recebe quase 100 pessoas ao dia e que se tinha teto com goteiras, paredes mofadas e instalações elétricas comprometidas. "Antes, se chovesse, o posto alagava. Em tempos de inverno, vários colegas vinham trabalhar de botas ou galochas; era caótico. Mas hoje a gente consegue ter uma estrutura digna para os profissionais e toda a comunidade do Santos Dumont", comemora Maria Telma.

“O melhor de tudo é o que acontece na salinha, que antes da reforma não existia”. A salinha mencionada com entusiasmo por Nina Félix é um espaço privativo, onde acontecem os encontros mensais do grupo de apoio psicossocial do posto. Foi com a reforma, em 2024, que Nina, assim como Maria Luciete da Silva e outras 15 pessoas, puderam ter um ambiente privativo para falar sobre saúde mental, câncer de mama, doenças infecciosas e assuntos despretensiosos da rotina, na última quarta-feira de cada mês.

Nina e Maria Luciete construíram uma relação de amizade através dos encontros do grupo de apoio. Luciete também é frequentadora antiga do posto e foi aquela que descobriu ter hipertensão e diabetes.

“Eu sou acompanhado há anos por essa equipe e pego todos os meus remédios gratuitos na farmácia do posto. Os meus três filhos também precisam dos cuidados daqui. Se não fosse esse posto, a outra opção seria mais longe e a gente não teria tanta facilidade para cuidar da saúde pelo SUS. Com essa unidade, tudo se torna mais perto e prático para mim e minha família. É uma benção de Deus”, comemora a dona de casa e independência, Maria Luciete Silva.