Talibã completa 5 anos no poder enfrentando críticas globais
Grupo promove desfiles em Cabul enquanto lida com crises e isolamento internacional.
O Talibã celebra cinco anos no poder com desfiles em Cabul, tentando projetar controle enquanto ainda enfrenta crises políticas e humanitárias, apesar de avanços diplomáticos discretos.
O Talibã, acusado de graves violações de direitos humanos e violência, celebrou cinco anos no poder tentando projetar controle político, com um desfile em frente à antiga embaixada dos EUA em Cabul. No pronunciamento oficial, o ministro do Interior Sirajuddin Haqqani exaltou a "vitória" sobre o Ocidente, mas reconheceu que "questões e problemas" persistem.
Organizações humanitárias e a ONU afirmam que o grupo tem dificuldade em administrar crises naturais e sociais, agravadas pelas severas restrições impostas às mulheres. Desde 2021, o Talibã proibiu milhões de meninas de frequentar escolas e universidades e limitou drasticamente a circulação feminina, apesar de alegar seguir a sharia.
De acordo com a mídia britânica, o movimento enfrenta também instabilidade interna. Nas últimas semanas, autoridades regionais foram assassinadas no nordeste do país, incluindo o chefe de inteligência de Badakhshan e o prefeito da capital provincial, em ataques reivindicados pelo Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países).
As promessas de governar de forma mais moderada após a retomada do poder em 2021 não se concretizaram, segundo entidades de direitos humanos consultadas pela apuração. O governo permanece sem reconhecimento internacional, com a Rússia como único país a formalizar apoio, enquanto relações com o Paquistão se deterioram.
Apesar do isolamento, analistas apontam avanços diplomáticos discretos. Segundo a apuração, alguns países avaliam formas de dialogar com Cabul, especialmente diante de pressões para deportar afegãos e da posição estratégica do país entre Ásia Central, Sul da Ásia e Oriente Médio, o que abre espaço para acordos econômicos.
O Talibã afirma que celebrações do quinto aniversário ocorrerão também em capitais como Islamabad, Pequim, Tashkent, Teerã, Ancara e Kuala Lumpur. Em Cabul, participantes das cerimônias exaltaram a derrota dos EUA e expressaram esperança de desenvolvimento futuro.