Petrobras faz descoberta de petróleo na foz do Amazonas
Identificação de hidrocarbonetos marca um novo capítulo na exploração da Margem Equatorial brasileira.
A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos em um poço na bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá.
Esta é a primeira descoberta da estatal na costa amapaense, um marco na aposta que a companhia vem fazendo na chamada Margem Equatorial brasileira.
O poço exploratório Morpho (1-BRSA-1405-APS), perfurado no bloco FZA-M-59, está localizado a cerca de 175 km da costa do estado, em lâmina d'água de 2.886 metros. Segundo a Petrobras, a presença de hidrocarbonetos foi constatada por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. As operações de perfuração continuam para aprofundar a avaliação da área, "de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas".
"Nosso otimismo em relação à Margem Equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", afirmou a presidente da estatal, Magda Chambriard.
A aposta da Petrobras na foz do Amazonas está diretamente ligada ao que aconteceu nos últimos anos na costa Norte da América do Sul. Desde a descoberta do campo de Liza pela ExxonMobil, na Guiana, em 2015, a margem se tornou uma das áreas mais cobiçadas da indústria petrolífera mundial, com descobertas subsequentes na Guiana e, a partir de 2020, no Suriname, que revelaram um sistema petrolífero capaz de adicionar bilhões de barris recuperáveis às reservas da região.
A descoberta põe fim a uma campanha de perfuração longa e turbulenta. Quando recebeu a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar o Morpho, a expectativa da Petrobras era concluir a operação em cerca de cinco meses. Entretanto, a operação já se aproxima de dez meses de duração, e a empresa enfrenta uma sequência de paralisações, autuações regulatórias e revisões operacionais.
Entre os contratempos, um vazamento de fluido interrompeu a prospecção por um mês em janeiro, e a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Ibama antes de retomar as atividades em fevereiro.