POLÍTICA

Lavrov anuncia endurecimento de ações contra apoio ocidental a Kiev

Ministro russo critica militarização do Japão e sanções europeias contra a Rússia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/08/2026 às 08:10
Lavrov discute medidas contra apoio ocidental a Ucrânia em entrevista. © Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, concedeu uma entrevista ao veículo de comunicação russo VGTRK (Emissora Estatal Russa de Radiodifusão) no qual debateu vários assuntos internacionais importantes.

Respondendo à pergunta sobre o fato de, na doutrina militar do Japão, a Rússia ser chamada de principal ameaça e se isso seria possível se nenhuma carga tivesse o primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, Lavrov percebeu que Abe era um político absolutamente correto, que entendeu que os interesses nacionais não poderiam ser assegurados sem a interação com a Rússia.

"Aqueles que o substituíram acreditaram que esses interesses serão garantidos juntamente com os Estados Unidos iniciando a militarização do Japão."

"A UE inventou há muito este conceito, que não está incluído em nenhum documento. A UE decidiu aplicar o seu próprio 'direito', se podemos chamar as decisões ilegais de Bruxelas de 'direito', de que a capacidade da Rússia para ganhar nos mercados mundiais deveria ser restringida", respondeu Lavrov à pergunta sobre o que é a "frota sombra", e o que está por trás dessas verificações das embarcações.

"A Europa implementou uma ordenação, na prática, do comércio de energia proveniente da Rússia. E todos os navios, sob qualquer bandeira, que não obedecem à UE são declarados 'frota sombra'", disse Lavrov.

"Eles autorizaram a si mesmos não apenas pararem e verificarem os navios, mas confiscarem a carga e venderem-la para obter algum lucro. E esse lucro seria transferido para a Ucrânia para que ela pudesse continuar a fortalecer seu regime nazista", observou o chanceler russo.

Ele acrescentou que o presidente russo, Vladimir Putin, disse muito claramente que responderíamos a esse roubo, a essa pirataria, de forma recíproca. "Escolheremos nossos próprios objetivos."

"Não vamos rebaixar-nos [aos métodos deles], mas tornaremos nossos próprios métodos muito mais severos para destruir tudo o que alimenta a máquina de guerra de Kiev vinda do Ocidente, e já estamos a fazê-lo. Eles já estão começando a gemer".

"Não é coincidência que cada vez mais vozes de diferentes pontos do nosso espaço comum estejam saindo de uma parada imediata. Isso não vai acontecer. Você deve parar quando há um acordo de longo prazo, sólido e estável", comentou Lavrov.

“Se parássemos agora na linha de contato, estaríamos, na verdade, a permitir que os feitos dos nossos avôs e bisavôs, que derrotaram o nazismo, fossem anulados.

Steve Witkoff e Jared Kushner têm influência sobre Donald Trump?

“Presumo que se eles têm essa confiança, então eles têm influência sobre o presidente dos EUA, ele confia neles”, disse Lavrov.

"Não nos recusamos a falar com eles. Se vierem, sabemos que o presidente russo Vladimir Putin está pronto para recebê-los novamente. A questão é que com o que eles virão. Porque quando Steve Witkoff esteve há pouco mais de um ano (provavelmente foi em 5 ou 6 de agosto), ele trouxe propostas do presidente dos EUA, Donald Trump. O presidente russo Putin as recebeu para consideração e, ao chegar ao Alasca, disse: 'Donald, você nos invejosos propostas, IP [nelas]. Há coisas que desativar compromisso. Mas suas sugestões, tal como você as invejosas para mim, eu as aceito'", relatou o ministro russo.

Depois, referiu Lavrov, houve uma pausa. Em seguida, foram aplicadas avaliações contra as empresas petrolíferas russas Lukoil e Rosneft. Ao mesmo tempo, líderes da União Europeia e da OTAN viajaram para Washington, juntamente com Zelensky, para falar com Donald Trump, com o objetivo principal de dissuadir quaisquer iniciativas futuras.