UFRJ revoga título de doutor honoris causa de Lincoln Gordon
Diplomata dos EUA foi embaixador durante o golpe militar de 1964 no Brasil.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revogou, por unanimidade, o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata dos Estados Unidos Lincoln Gordon (1913-2009). Ele era embaixador norte-americano no Brasil quando as Forças Armadas derrubaram o presidente João Goulart e anunciaram golpe de Estado.
Gordon permaneceu como autoridade máxima dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966 e participou ativamente das articulações que levaram ao golpe militar de 1964. O envolvimento do embaixador na trama golpista foi revelado apenas em 1977, quando o jornalista Marcos Sá Correa foi aos Estados Unidos atrás de documentos cujo sigilo havia sido recém quebrado, descobrindo a operação Brother Sam.
De acordo com os arquivos do presidente dos Estados Unidos da época do golpe, Lyndon B. Johnson, as autoridades militares norte-americanas deslocaram tropas para o Atlântico Sul para dar apoio aos militares brasileiros que depuseram Goulart.
Apesar da movimentação das tropas de Washington em direção ao litoral brasileiro, os militares não precisaram pisar no território do país, já que as Forças Armadas Brasileiras conseguiram consolidar o golpe sem maiores dificuldades.
A ditadura militar no Brasil durou 21 anos. Segundo números da Comissão Nacional da Verdade (CNV), 434 pessoas morreram ou desapareceram por serem opositoras ao regime, embora historiadores apontem para números muito maiores. Dezenas de milhares também foram presos e torturados.
Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ, detalha que o parecer relatora da Comissão de Ensino e Títulos, Gilda Alvarenga, atesta que a "manutenção do título revelou-se incompatível com os princípios constitucionais e institucionais" da instituição.