EUA planejam intensificar ações contra narcotráfico na América Latina
Secretário de Guerra norte-americano sugere operações terrestres em parceria com países da região.
Quase dois meses após classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os Estados Unidos avaliam ampliar sua campanha contra o narcotráfico para operações terrestres na América Latina.
A possibilidade foi admitida pelo secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, ao afirmar que Washington poderá levar para o território terrestre dos países da região a estratégia já utilizada contra supostas embarcações de traficantes.
"Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs [Organizações de Tráfico de Drogas] em terra", afirmou Hegseth.
A declaração foi feita durante uma viagem do secretário ao Panamá e amplia o alcance anunciado para a campanha militar dos Estados Unidos contra organizações ligadas ao tráfico de drogas. Segundo Hegseth, os grupos poderão ser considerados alvos independentemente de onde estejam, caso trafiquem drogas ou representem uma ameaça aos Estados Unidos e seus aliados.
O secretário do governo do presidente Donald Trump afirmou que a estratégia na região será a mesma utilizada contra grupos como Al-Qaeda e Daesh (organizações terroristas proibidas na Rússia e em vários outros países).
De acordo com Hegseth, os Estados Unidos pretendem desenvolver com países aliados uma capacidade operacional em terra semelhante aos ataques contra supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no leste do Oceano Pacífico. Desde setembro do ano passado, essas operações deixaram pelo menos 215 mortos.
O anúncio ocorreu durante exercícios militares realizados no Panamá com participação de cerca de 20 países.
Para além da coalização antidrogas
O anúncio ocorre dias após a Colômbia integrar nesta semana a Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, aliança antidrogas liderada por Washington que reúne 19 países, como Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Honduras e Peru. Já México e Brasil ficaram de fora. Porém, o secretário norte-americano afirmou que a atuação de Washington não vai depender da adesão ou não à aliança e pode se estender para outras localidades latinoamericanas.
A ampliação da campanha ocorre em meio ao aumento do uso pela Casa Branca da classificação de grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas. Em junho, foi a vez das facções brasileiras CV e PCC ganharem a designação, mesmo com as críticas do Brasil de interferência na soberania nacional.
Hegseth também defendeu que os Estados Unidos utilizem sua estrutura militar e de segurança contra os grupos, em vez de submetê-los aos mecanismos convencionais de persecução criminal.
"Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano", afirmou.