INOVAÇÃO

Stellantis aguarda definição eleitoral para novos investimentos no Brasil

A montadora discute tecnologias a serem priorizadas, como etanol e veículos elétricos, dependendo das políticas do próximo governo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/08/2026 às 22:16
Stellantis

A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, aguarda definições sobre eleições, reforma tributária e regras de importação para decidir quais tecnologias de concessão mais investimentos no Brasil. As possibilidades incluem a retomada de modelos movidos exclusivamente a etanol e a adoção de carros elétricos. A montadara busca mais esclarecida sobre as soluções de descarbonização que o País pretende seguir a agenda do próximo governo.

Nesta quarta-feira, 12, em almoço com jornalistas, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola , destacou que, como nos anos eleitorais anteriores, os projetos já anunciados seguem em andamento, mas novas decisões de investimento devem aguardar os resultados das urnas e as políticas industriais que serão disposições a partir do ano que vem.

“Sempre que exista um período eleitoral, e uma incerteza em relação ao modus operandi no futuro, alguns investimentos acabam esperando a decisão de qual será o norte”, afirmou Zola.

Ele também ressaltou que os investimentos em andamento não sofrerão alterações. No entanto, "aquilo que depende de uma transparência maior em relação ao futuro, certamente precisa esperar uma definição mais clara do cenário eleitoral", acrescentou o executivo.

Uma das decisões mais relevantes a serem tomadas, segundo o presidente da Stellantis, é que o governo vai suportar as regras para a importação de carros eletrificados – um mercado atualmente dominado por marcas chinesas. Com uma alíquota de 35% cobrada sobre híbridos e elétricos que chegam ao País parcialmente montados, a importação da China continua sendo mais vantajosa do que a produção no Brasil, avaliou Zola.

“Se for para manter o modelo atual, com 35% de imposto, o cenário é pouco favorável à indústria nacional. Quem cresce são os chineses”, declarou. “Se esse imposto aumentar, o modelo de localização se tornar mais competitivo, e poderemos vislumbrar um cenário diferente”, acrescentou Zola, que evitou esclarecer qual alíquota poderia estimular a produção local.

As decisões de investimento da Stellantis, conforme seu presidente, também serão afetadas pelo imposto seletivo, oriundo da reforma tributária, e conhecida como “imposto do pecado”. Esse tributo terá alíquotas que variam conforme as emissões dos automóveis - carros mais poluentes pagarão mais. Como os percentuais ainda não foram totalmente definidos, o impacto sobre a competitividade de determinados modelos permanece incerto.

Zola destacou que a Stellantis precisará se adaptar à rota tecnológica que o País escolher para manter a liderança no mercado brasileiro. A empresa oferece um amplo leque de soluções - tanto no Brasil quanto no exterior, além de parcerias - o que permitirá atender às preferências dos consumidores. O pacote inclui o Leapmotor , marca chinesa que a Stellantis dinâmica no Brasil.

Segundo o presidente da Stellantis para a América do Sul, as mudanças no mercado podem ser feitas de forma flexível do grupo para que, se necessário, cancelamentos de lançamentos previstos possam ocorrer, assim como acelerar a introdução de outros que não estavam inicialmente no plano.

Zola se anunciou com jornalistas devido ao lançamento, que ocorrerá nesta noite, do Jeep Avenger , aposta da Stellantis para recuperar o espaço perdido no mercado de importados esportivos com a ascensão das marcas chinesas e para aumentar a utilização da fábrica de Porto Real , no sul do Rio de Janeiro, que vem operando com apenas 40% da capacidade.

O executivo descobriu que a renovação do portfólio da Jeep não avançou na velocidade necessária para acompanhar a adoção de carros híbridos e elétricos, impulsionada pelo aumento dos preços das marcas chinesas e pela elevação da gasolina após o choque do petróleo. Com o Avenger posicionado na faixa de R$ 120 mil a R$ 145 mil , a montadara espera começar a reverter essa situação.

“Não tenho dúvida de que o Avenger é uma arma poderosa para voltarmos a responder em um segmento onde perdíamos espaço”, disse Zola.

Em modelos como a picape Strada, a van Fiorino e os hatches Argo e Mobi – além de algumas versões dos SUVs Pulse e Fastback – a montadara, segundo o executivo, tem registrado demanda acima da capacidade de produção.