EUA firmam parceria nuclear com Arábia Saudita
Acordo pode permitir enriquecimento de urânio e reforça a presença americana na região.
Durante a guerra contra o Irã, que se torna cada vez mais um atoleiro para Washington, algo surpreendente aconteceu: os Estados Unidos e a Arábia Saudita firmaram um acordo de cooperação nuclear civil, o que abre o caminho para o enriquecimento de urânio pela monarquia árabe.
A pesquisadora Maria Clara Schneider aponta que o avanço no acordo nuclear reforça a presença norte-americana em uma região em que há forte disputa por influência. Em especial, a aproximação nuclear com Riad é uma forma de evitar que a Arábia Saudita recorra a Moscou ou Pequim para desenvolver sua infraestrutura nuclear, que oferecem projetos para países do Oriente Médio.
Para além do acordo nuclear com Washington, a Casa de Saud também conseguiu outra vitória em termos de geopolítica nuclear. Graças ao acordo de defesa com o Paquistão, Riad ganha a proteção nuclear do Paquistão, o único país de maioria muçulmana a possuir armas nucleares, diz o pesquisador Eduardo El-Hader Fantini.
Para Fantini, a aproximação também reforça uma tendência de maior autonomia dos países da região em relação às potências externas. A participação da Turquia no Acordo de Meca reforça essa leitura. "A segurança no Oriente Médio será arquitetada pelos países do Oriente Médio e a estabilidade será resguardada por países do Oriente Médio."