Americanas registra prejuízo de R$ 274 milhões no 2º trimestre de 2026
Perdas impactadas pela mudança no calendário da Páscoa e vendas no digital avançam 77,4%.
A Americanas registrou um prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, refletindo uma alta de 179,6% em comparação à perda de R$ 98 milhões no mesmo período do ano anterior. Considerando apenas as operações continuadas, o prejuízo aumentou para R$ 279 milhões, quase quatro vezes os R$ 70 milhões registrados um ano antes. O EBITDA ajustado totalizou R$ 145 milhões, uma queda anual de 51,5%.
A receita líquida totalizou R$ 3,3 bilhões entre abril e junho, representando uma queda de 1,7% na comparação anual, enquanto a receita bruta recuou 1,5%, atingindo R$ 3,9 bilhões. A companhia atribuiu parte da piora na comparação trimestral à mudança de calendário da Páscoa, que em 2025 ocorreu em 20 de abril, enquanto neste ano foi celebrada em 5 de abril, deslocando vendas significativas para o primeiro trimestre.
O diretor financeiro (CFO), Sebastien Durchon, afirmou que esse efeito dificulta a análise isolada dos dois primeiros trimestres e levou a empresa a focar na avaliação do desempenho acumulado do semestre.
No primeiro semestre, as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3%, superando o aumento de 7,8% registrado nos primeiros quatro meses do ano. De acordo com o executivo, os meses de maio e junho apresentaram crescimento superior a 10%, indicando aceleração nas vendas.
O presidente da Americanas, Fernando Dias Soares, comentou que o crescimento das vendas, aliado ao controle de custos e despesas, resultou em uma melhora de R$ 251 milhões no EBITDA ajustado (ex-IFRS 16) no semestre. "O mercado vinha questionando se a gente conseguiria seguir melhorando na mesma ordem de grandeza e a resposta é sim", disse. No primeiro semestre de 2025, a melhoria havia sido de R$ 238 milhões, levando a evolução acumulada em dois anos a quase R$ 500 milhões.
As despesas gerais, administrativas e com vendas (SG&A) caíram 12,3% no segundo trimestre, para R$ 772 milhões. Em relação à receita líquida, a proporção passou de 26,2% para 23,4%. No semestre, a redução das despesas totalizou R$ 76 milhões, com uma melhora de 3,3 pontos porcentuais na relação com a receita.
O resultado financeiro foi negativo em R$ 201 milhões no trimestre, em comparação aos R$ 18 milhões negativos no mesmo período do ano anterior.
Sobre a estrutura de capital, Durchon destacou que não houve mudança relevante e enfatizou que a venda de ativos tem sido usada para reduzir o endividamento. A companhia finalizou em junho a venda de um ativo por R$ 162 milhões, valor que superou em R$ 9 milhões o previsto após ajuste de preço.
O CFO ainda ressaltou que a Americanas continua consumindo caixa, embora em ritmo decrescente, e que a companhia melhorou o capital de giro em quase R$ 300 milhões nos últimos 12 meses.
Digital ganha espaço
No segmento digital, a receita cresceu 77,4% no segundo trimestre, atingindo R$ 204 milhões. O modelo O2O, em que a compra é realizada online e atendida a partir do estoque das lojas físicas, teve um aumento de 92,9%, passando a R$ 191 milhões. No semestre, o O2O cresceu 74,6%, somando R$ 337 milhões.
"Nos três últimos anos, reestruturamos totalmente a companhia. Tínhamos uma empresa digital muito grande, que foi desmontada, e estamos remontando essa operação de forma diferente, para ter um digital rentável", afirmou Durchon.
No semestre, o novo digital representou cerca de 5% das vendas. Durante a Copa do Mundo, aproximadamente 30% das vendas de figurinhas foram originadas pelo O2O. A companhia já possui cerca de 200 lojas com caixas exclusivos para retirada de pedidos feitos online.
No canal físico, a receita caiu 6,8% no segundo trimestre, impactada também pela mudança do calendário da Páscoa e pela diminuição da base de lojas. Entretanto, as vendas cresceram 3,2% no semestre. A receita bruta por metro quadrado avançou 10,3% no período, resultado que a empresa associa ao fechamento, realocação e readequação de pontos de venda.
A Copa do Mundo teve impactos distintos sobre a operação. Segundo Soares, ocorreu uma redução no fluxo de clientes e o fechamento antecipado de algumas lojas em dias de jogos, especialmente em shopping centers. No entanto, isso foi compensado pelo aumento das vendas de categorias relacionadas ao evento, com vendas nas mesmas lojas de biscoitos e salgadinhos aumentando 13%, enquanto as de bebidas avançaram 29%. A companhia ainda comercializou mais de 12 milhões de pacotes de figurinhas. "Do ponto de vista de vendas, é muito mais positivo do que negativo", concluiu o executivo.