ECONOMIA

Ibovespa registra 7ª queda consecutiva com saída de investidores estrangeiros

O mercado acionário apresenta perdas durante agosto, acumulando uma baixa de 5,90%.

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/08/2026 às 18:09
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Depois de um dia de forte baixa para o mercado de ações, o Ibovespa encerrou o dia em leve queda, em um movimento de acomodação após a intensa saída de recursos estrangeiros da bolsa na véspera. No entanto, apesar da correção ter sido pequena, a queda desta quarta-feira marca o sétimo pregão seguido de perdas.

Em agosto, portanto, não houve até agora um único pregão de alta para o Ibovespa, que opera no menor patamar desde 20 de janeiro. No acumulado do mês, a baixa já soma 5,90%.

Segundo profissionais de mercado, a saída dos estrangeiros é relevante para explicar o mercado nas últimas semanas porque, só em agosto, até o dia 10, já foram retirados R$ 7,2 bilhões do mercado de ações listadas.

"O que eu destacaria em uma leitura macro é um resgate grande de estrangeiros concentrado nos últimos dias, o fluxo de dinheiro que entrou no começo do ano ficou agora mais errático e isso explica porque a bolsa está descolando do mercado lá fora", afirma Ricardo Modé, CIO da Etti Partners.

O Ibovespa terminou o dia em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, após bater a mínima de 167.141,82 pontos (-0,44%).

Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, é natural que, depois de um movimento de forte queda, os investidores optem por evitar posicionamentos mais direcionais, como uma pequena parte aproveitando o espaço para compras, mas sem grandes exposição às ações.

"Se dermos uma olhada nas estatísticas de ontem, olhando indicadores técnicos, conseguimos ver que a negociação trouxe o Ibovespa para fora do padrão de volatilidade", diz ele. "Então, é normal ter um movimento mais moderado, para trabalhar de novo dentro da banda de desvios."

Outro tema que continua em evidência no Brasil é o cenário político, após pesquisas eleitorais recentes apontarem para uma vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). O mercado espera uma chapa mais forte à direita por desejar um maior alinhamento a pautas de mercado, como a agenda fiscal.

Segundo um gestor que pediu para não ser identificado, a temporada de balanços do segundo trimestre no Brasil também não vem ajudando a dar suporte às ações. Na avaliação do profissional, o desempenho geral "tem decepcionado" e vem levando os investidores a não permanecerem com grandes posições compradas.