Postos de vacinação são instalados no Metrô de São Paulo devido ao aumento de casos de sarampo
A ação ocorre em parceria com o Metrô e segue até o final de agosto em datas e horários específicos.
A Prefeitura de São Paulo, em parceria com o Metrô, instalou postos temporários de vacinação contra o sarampo em cinco estações do sistema metroviário da capital paulista.
A ação começou em 10 de agosto e segue até 28 de agosto em datas e horários específicos para cada estação.
Nesta terça-feira (11), a estação Santa Cruz, na zona sul paulistana, recebeu passageiros para vacinação. Entre eles, Alessandra Silva Queiroz, que passava pelo terminal a caminho de casa. "Ao chegar no terminal aqui eu vi, aproveitei e vim vacinar", contou. Segundo ela, o plano era procurar um posto de saúde próximo de casa, mas a oportunidade surgiu antes: "eu ia até no posto perto da minha casa pra vacinar logo, mas como eu tô passando por aqui, vi o postinho aqui e resolvi vacinar logo."
"Minhas irmãs já se vacinaram, mas tava faltando eu lá na minha casa, aí eu passei hoje e já tô vacinada", disse.
Sobre a importância da imunização, ela diz ser preciso "evitar a doença de algum jeito" devido aos riscos associados. A psicóloga Rosinalva Ferreira da Silva também tomou a vacina no posto montado na estação. "A vacinação é muito importante independente qual seja, e muito legal principalmente agora que o pessoal está saindo do trabalho", afirmou. "Importante para a gente poder erradicar esses vírus, essas doenças que estão voltando", disse ela, que pretendia se vacinar havia algum tempo depois de ter feito uma viagem. "No posto próximo da minha casa não tem, e eu aproveitei a oportunidade e já consegui concluir a vacina aqui."
Está tendo campanha de vacinação de sarampo?
São Paulo é hoje o único estado brasileiro com surto ativo de sarampo, com 23 casos confirmados em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). Do total, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema incompleto, o que motivou reforço na campanha nacional de imunização.
Os registros se concentram na capital, com 20 casos, além de dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos, todos vinculados a uma cadeia de transmissão iniciada por casos importados.
A cobertura vacinal da tríplice viral no estado está em 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda, abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. No ano anterior, os índices eram de 94% e 84,4%, respectivamente.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo (CVE-SP), Tatiana Lang, destacou em publicação no site oficial de notícias do governo a importância da imunização diante do avanço dos casos. "É fundamental que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação das crianças, e que adolescentes e adultos procurem uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal sempre que necessário."
O Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação contra o sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Em nota, a pasta afirmou também que "em situações de circulação do vírus, o Ministério da Saúde também recomenda a aplicação da chamada dose zero em crianças de 6 a 11 meses de idade, ampliando a proteção desse grupo, mais vulnerável à infecção".
A pasta informou que distribuiu mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral a estados e municípios em 2026, das quais cerca de 2,9 milhões já haviam sido aplicadas em todo o país até o momento da recomendação.
Desde o início da Campanha de Multivacinação – De Olho na Carteirinha 2026, já foram aplicadas mais de 412 mil doses na capital paulista, entre elas contra sarampo, caxumba e rubéola.
A vacina segue disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de segunda a sexta-feira, das 7h00 às 19h00.
Américas registram maior alta de casos em duas décadas
O surto em São Paulo ocorre em meio ao pior cenário de sarampo nas Américas em mais de 20 anos. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o continente já soma cerca de 47,5 mil casos confirmados em 16 países em 2026, com 44 mortes, mais do triplo dos 15 mil casos registrados durante todo o ano de 2025.
Estados Unidos, México, Guatemala e Peru concentram cerca de 95% dos contágios confirmados na região. A Bolívia também registra transmissão ativa, com 65 casos no ano, distribuídos principalmente nos departamentos de Santa Cruz, Beni e Cochabamba.
O Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo?
O sarampo havia sido considerado eliminado no Brasil em 2016, pela Organização Pan-Americana da Saúde.
O país perdeu essa certificação em 2019, após anos de transmissão contínua do vírus, associada à queda na cobertura vacinal e ao fluxo migratório que trouxe casos importados da Venezuela a partir de 2018. O certificado de eliminação só foi recuperado em novembro de 2024.
Os casos identificados neste ano em São Paulo têm origem em uma cadeia de transmissão iniciada por casos importados.