POLÍTICA

Ministro critica responsabilização do Brasil por agressões externas

Mauro Vieira defende a soberania nacional em artigo sobre recentes ataques estrangeiros.

Por Sputnik Brasil Publicado em 11/08/2026 às 17:51
Mauro Vieira critica ataques externos e defende a soberania do Brasil em artigo. © AP Photo / Eraldo Peres

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, escreveu um artigo no qual afirma que atores golpistas "invertem" a responsabilidade sobre as agressões recentes ao Brasil. Sem citar nomes, o chanceler comentou os episódios do tarifaço dos EUA e as falas do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre Luiz Inácio Lula da Silva.

Publicado pelo Correio Braziliense, Vieira inicia o artigo afirmando que os recentes ataques sofridos por figuras públicas e pelo Poder Judiciário "ilustram a dimensão" do desafio atual para a diplomacia e para a sociedade brasileira.

"Trata-se de comportamentos grosseiros e sem precedentes de líderes estrangeiros, com ataques frontais à nossa soberania e ao nosso regime democrático, [...] ainda que as motivações não cheguem a constituir novidade histórica: tentar impor novamente ao mundo uma lógica de lei da selva e de subordinação."

Segundo o chanceler brasileiro, o mundo mudou para pior na era das redes sociais, ricocheteando também nas relações internacionais. Viera salienta que os ataques "inauditos e virulentos" são "em alguns casos instigados por brasileiros que abertamente conspiram contra o interesse nacional".

Sem citar nomes, o ministro das Relações Exteriores se refere a Eduardo Bolsonaro, que utilizou as redes sociais ao longo dos últimos meses para compartilhar vídeos mostrando que estava agindo contra o Poder Judiciário brasileiro nos Estados Unidos. Uma das motivações para as sanções econômicas às exportações do Brasil, inclusive, segundo Washington, foi a suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Percebo, no debate dos últimos dias, a tentativa de alguns de inverter a responsabilidade pelos atos hostis, que é de única e exclusiva responsabilidade de governantes e governos estrangeiros que os praticam, e a ninguém mais. Estão de volta os mesmos atores políticos e sociais que fracassaram na implementação de um golpe de Estado no Brasil e voltaram a fracassar na tentativa de maquiar ou normalizar o golpe, frustrado pela pronta ação das instituições e da sociedade brasileira."

Vieira afirma que a diplomacia do Brasil conquistou respeito ao longo de gerações por ter leituras lúcidas dos sinais recebidos da sociedade brasileira e do mundo. Desta forma, o chanceler entende que o país deva responder de maneira enérgica a ações que ataquem "nossa soberania e as nossas instituições".

"Esses mesmos atores [golpistas] agora tentam responsabilizar o governo brasileiro pelas agressões de que é alvo e polemizar a respeito da resposta proporcional do Brasil tanto às agressões recebidas como às declaradas manobras de ingerência externa."

Em um trecho direcionado ao presidente Milei, mesmo sem citá-lo nominalmente, Vieira declarou que "agredir, ameaçar, proferir insultos ao anfitrião, seja na casa, seja no país de quem acolhe a visita" é uma atitude condenável, "e nada mudará essa realidade". O chefe do Itamaraty também acrescentou, neste contexto de reprovação, "conspirar contra a própria pátria no exterior".

"Tentam bater no Brasil por meio de autoridades estrangeiras e depois esconder a mão. Não vai funcionar: o brasileiro está atento, conhece bem a sua história e não abre mão de conduzir os destinos do próprio país. Não será governado por controle remoto a partir de uma capital estrangeira."