Contrato de projeto para reforma do Largo São Francisco é assinado
A Prefeitura de São Paulo assinou nesta terça-feira, 11, o contrato para elaboração do projeto executivo da revitalização do Largo São Francisco, onde fica a Faculdade de Direito da USP, no centro da capital. A ideia é ampliar a arborização da região e aumentar em 1.500 m² as calçadas nos arredores da instituição histórica.
A Associação dos Antigos Alunos da SanFran será responsável pelos estudos. A ideia da reforma partiu da própria entidade, que arcará integralmente com os custos do projeto executivo.
A obra ainda não tem data para começar. Só depois que o projeto executivo for concluído, a Prefeitura realizará a licitação para contratar a construção. A Associação dos Antigos Alunos terá seis meses para desenvolver a proposta.
O projeto faz parte das comemorações dos 200 anos da faculdade que, ao lado da de Olinda (PE), teve o primeiro curso jurídico do Brasil, em 1827.
"A Faculdade de Direito antecede a USP. Ela está aqui há 200 anos. A cidade passou por muitas transformações, muitas instituições e comércios deixaram o centro. Outras faculdades foram para a Cidade Universitária. Mas a gente ocupa esse mesmo espaço há 200 anos", diz a diretora da Faculdade de Direito, Ana Elisa Bechara.
A ideia é transformar o largo em um espaço de permanência, não apenas de fluxo de veículos e pedestres apressados, diz Pedro Martin Fernandes, presidente da SP Urbanismo, empresa municipal responsável pelo anteprojeto (esboço da reforma, com base em estudos preliminares).
A proposta é conectar as calçadas entre o prédio histórico das arcadas da USP e o Palácio do Comércio, edifício vizinho incorporado em 2024 à instituição de ensino. Hoje, os dois são separados por quatro faixas de trânsito. A circulação de veículos vai continuar, mas apenas em duas pistas, e o asfalto será substituído por um novo pavimento capaz de induzir a redução de velocidade.
A ampliação das calçadas também abrange as quadras que contornam o largo, incluindo as ruas Riachuelo, do Ouvidor, José Bonifácio, Líbero Badaró, Benjamin Constant e Cristóvão Colombo.
O anteprojeto também prevê o plantio de 60 árvores de médio e grande porte da Mata Atlântica e a implementação de jardins de chuva, além da instalação de bancos e novos postes de iluminação.
Para o presidente da Associação dos Antigos Alunos, o advogado Rui Caminha, a melhoria na iluminação pública é um dos pontos principais. "Era uma demanda enorme dos alunos, porque as aulas terminam às 23h20, ou seja, quase próximo da meia-noite."
O largo fica a 200 metros da Estação Anhangabaú do metrô; a 300 metros do Terminal Bandeira e a 350 metros da Estação Sé. Mas, segundo Caminha, a falta de iluminação e de calçadas amplas prejudica a sensação de segurança no percurso.
O presidente da SP Urbanismo diz que a intenção da reforma também é trazer mais moradias para o centro, para que, com maior ocupação, as ruas fiquem menos desérticas e mais seguras. A diretora da faculdade lembra que a instituição tem um projeto, ainda sem previsão de data, de construir uma moradia universitária em um prédio da USP na Rua Senador Feijó.
A reforma no largo ainda inclui a reconstrução do parlatório e da fonte de água, a primeira da cidade, com a inclusão de um bebedouro público. As calçadas também serão adaptadas para acessibilidade, com melhorias na drenagem. Em frente à entrada da faculdade, a ideia é substituir o piso atual por granito, paralelepípedos e mosaico português.
As três estátuas do largo (Beijo Eterno, de William Zadig, O Menino e o Catavento, de O.M. di Palma, e Busto de Álvares de Azevedo, de Amadeo Zani) serão reposicionadas mais próximas à entrada da universidade, para ganhar mais destaque.