PF apura se IPREV tentou regularizar em 2026 aporte de R$ 80 milhões feito no Master três anos antes
Ofício assinado pelo atual presidente afirmou que banco estava habilitado quando recebeu recursos; investigação sustenta que Master só entrou na lista do Ministério da Previdência depois do primeiro investimento e quer saber quem produziu e revisou a resposta
A investigação da Polícia Federal sobre os investimentos do Iprev de Maceió no Banco Master ganhou nesta terça-feira (11) um novo e relevante componente documental. A PF apura se um ofício produzido pelo instituto em 2026 pretendia conferir regularidade retrospectiva ao aporte de R$ 80 milhões realizado em dezembro de 2023, quando o ainda Banco Master, segundo o pesquisador, não estaria incluído na relação de instituições habilitadas pelo Ministério da Previdência a receber recursos de regimes próprios.
O documento é o Ofício nº 212/2026, assinado pelo atual presidente do Iprev, Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga. Segundo informações da decisão do ministro André Mendonça divulgadas pela GazetaWeb, o ofício afirmou que o Banco Master estava plenamente habilitado e constava a lista exaustiva de chamadas do Ministério da Previdência na época dos investimentos.
A Polícia Federal contesta essa informação em relação à primeira operação.
Conforme a linha investigativa relacionada ao STF, o primeiro investimento de R$ 80 milhões foi realizado em 6 de dezembro de 2023, enquanto o Banco Master somente teria passado a integrar a lista de instituições habilitadas para receber recursos dos regimes próprios de previdência em 2024.
A diferença temporal agora se transforma em uma das questões centrais da apuração.
PF quer saber se houve tentativa de regularização posterior
Na decisão que autorizou a operação, André Mendonça registra que a PF pretende esclarecer se a resposta oficial produzida pelo Iprev buscou dar regularidade retrospectiva às decisões tomadas anteriormente.
A investigação não está limitada ao conteúdo final do ofício.
Os policiais querem identificar quem elaborou o documento, quem participou de sua revisão, quais fontes foram consultadas e se houve algum tipo de orientação externa para a formulação da resposta.
Esse ponto explica a importância das buscas realizadas na sede do instituto.
Foram autorizadas apreensões de processos administrativos completos, versões preliminares, documentos de credenciamento, atas, Autorizações de Aplicação e Resgate, notas técnicas, comunicações, backups e registros de acesso. A intenção é confrontar os documentos oficiais com versões internas e metadados para reconstruir a forma como as respostas administrativas foram produzidas.
O presidente atual não foi alvo de busca pessoal
. Há uma distinção importante.
Embora o Ofício nº 212/2026 tenha sido aprovado pelo atual presidente do Iprev, André Mendonça não autorizou busca pessoal contra Guilherme Lanzillotti. Segundo a decisão noticiada, o ministro é considerado insuficiente, nesta fase, os elementos apresentados especificamente contra ele.
Isso significa que a investigação sobre o documento prossegue, mas não permite afirmar que o atual dirigente tenha cometido qualquer irregularidade.
A PF poderá reconstruir a elaboração do ofício por meio dos documentos, sistemas e equipamentos apreendidos na própria sede da autarquia.
Primeiro aporte é o ponto crítico
O Iprev fez dois investimentos que estão especificamente sob investigação federal.
O primeiro foi de R$ 80 milhões em dezembro de 2023. O segundo, de R$ 17 milhões em maio de 2024. As duas operações totalizam R$ 97 milhões.
A questão da habilitação do Master ganha relevância principalmente em relação aos R$ 80 milhões iniciais.
Se a cronologia apontada pela PF for confirmada, será necessário esclarecer qual fundamento administrativo permitiu que uma quantificação dessa magnitude fosse ao banco antes de ele integrar a relação mencionada pelos pesquisadores.
E, posteriormente, por que um documento de 2026 teria informado que a instituição já se encontrava habilitada naquele momento.
Possível pressão externa também está sendo investigada
Outro detalhe revelado nesta terça-feira amplia a investigação para além dos procedimentos formais.
A Polícia Federal procura comunicações que possam indicar se houve pressão externa sobre integrantes do Iprev para a liberação dos recursos destinados ao Banco Master.
As buscas contra a consultoria Crédito & Mercado e seu dirigente Renan Foglia Calamia mensagens incluem, planilhas, versões preliminares de pareceres, minutas de APRs, agendas e comunicações mantidas com representantes do Banco Master.
De acordo com a representação da PF mencionada na decisão, o pesquisador pretende verificar se existem ordens, instruções ou outras interferências que tenham levado membros do Iprev para promover os transportes sem discussão técnica suficiente. A apuração também busca elementos de eventual obtenção de vantagem.
Essas são suspeitas investigativas. Até o momento, não há conclusão judicial de que pressão externa ou pagamento de vantagem tenham ocorrido.
Consultoria de participação negativa na decisão
O Cédito & Mercado contesta a interpretação da Polícia Federal.
A empresa afirma que não orientou o Iprev a investir no Banco Master e sustenta que houve equívoco na análise dos documentos, particularmente quanto ao papel das Autorizações de Aplicação e Resgate. A consultoria também informou que tomou conhecimento da decisão judicial por meio da imprensa.
A divergência será um dos pontos a serem esclarecidos a partir dos documentos apreendidos.
De um lado, a PF investiga se a consultoria participou do credenciamento do Master, da elaboração ou validação das análises e da formação documental que antecedeu as operações. Além disso, a empresa nega ter recomendado, aprovado ou participado da decisão de investimento.
O que está confirmado
Está confirmado que o Iprev realizou aplicações de R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e R$ 17 milhões em maio de 2024 no Banco Master, totalizando R$ 97 milhões. Também está confirmado que existe o Ofício nº 212/2026, assinado pelo atual presidente da autarquia, sustentando que o banco foi habilitado na ocasião dos investimentos.
Também está confirmado que André Mendonça autorizou a apreensão de ampla documentação na sede do Iprev para permitir à PF reconstruir os procedimentos de credenciamento, análise e aprovação dos investimentos e verificar a forma de produção de documentos posteriores.
O que é acusação ou hipótese investigativa
É uma hipótese da Polícia Federal, ainda a ser comprovada, que o ofício de 2026 pode ter sido utilizado para tentar conferir regularidade posterior à operação de 2023.
Da mesma forma, é investigada — mas não comprovada — a eventual existência de pressão externa sobre servidores ou dirigentes para liberar os investimentos, assim como possível obter de vantagem por algum participante.
Também permanece sob apuração qual foi exatamente o papel da Crédito & Mercado e de cada um dos gestores e integrantes dos colegiados do Iprev.
Uma pergunta agora é objetiva: quando o Master foi habilitado?
A nova revelação cria uma questão documental que pode ser respondida objetivamente.
A Prefeitura de Maceió e o Maceió Previdência precisam esclarecer os dados exatos em que o Banco Master passou a integrar a lista de instituições habilitadas para receber recursos de regimes próprios, qual documento foi utilizado para embasar o investimento de R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e por que o Ofício nº 212/2026 informou que o banco já estava habilitado para tal.
Também é necessário esclarecer quem elaborou técnicas a resposta assinada pelo atual presidente e quais registros do Ministério da Previdência foram utilizados.
A resposta a essas perguntas poderá estabelecer se existe apenas uma divergência de interpretação administrativa ou se, como suspeita a Polícia Federal, houve tentativa posterior de produção de uma justificativa para uma operação já realizada.
Até agora, nenhum dos investigados foi condenado pelos fatos relacionados ao Iprev e ao Banco Master. As medidas autorizadas pelo STF são cautelares e a responsabilidade individual de cada envolvido ainda deverá ser demonstrada durante a investigação.
TRANSPARÊNCIA — Esta matéria foi produzida com o auxílio de inteligência artificial, a partir de informações extraídas de decisão do Supremo Tribunal Federal e de reportagens jornalísticas verificadas, com separação entre fatos confirmados, reveladas da Polícia Federal, versões das partes envolvidas e pontos ainda sob investigação, e revisada pela Redação da Tribuna do Sertão.