Apex Brasil destina R$ 210 milhões para exportadores em busca de novos mercados
Medida visa beneficiar até 5,3 mil empresas impactadas pelas tarifas dos EUA.
Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), afirmou nesta terça-feira (11), em coletiva de imprensa em São Paulo (SP), que o plano de diversificação de mercados para empresas conquistadas pelas tarifas dos Estados Unidos começa a funcionar já nesta quarta-feira (12).
Segundo ele, a iniciativa atenderá até 5,3 mil empresas exportadoras impactadas e isentas de taxas de participação em feiras internacionais e ressarcimento de despesas com certificação em novos mercados.
"Ele já começa amanhã. Não é um plano que será construído, é um plano que já vem sendo construído. Estamos aqui com toda a nossa estrutura, todos os nossos escritórios da Apex Brasil no mundo", declarou o presidente da agência, que tem representações na América do Norte, na Ásia, na Europa, no Oriente Médio, em Moscou e na América Latina.
O número de empresas a serem atendidas, segundo Müller, foi calculado a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) referentes a 2024, último ano com estatísticas consolidadas, que apontam 5.060 empresas brasileiras impactadas pelas tarifas americanas.
O presidente da ApexBrasil negou que o programa signifique abandonar o mercado americano.
"Não vamos substituir o mercado americano. Vamos continuar trabalhando nos Estados Unidos. É um mercado importante para as empresas brasileiras. Vamos continuar atuando com o nosso escritório em Washington", afirmou, acrescentando que a agência também negocia ampliar isenções tarifárias diretamente com empresas americanas.
Mercados prioritários
Müller citou Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Cingapura, Índia e China entre os mercados prioritários do plano, que somam mais de 30 destinos mapeados.
"São estes mercados que a gente vai buscar, são mais de 30 mercados que nós vamos trabalhar."
O presidente da agência informou que o Brasil bateu recorde de exportações em julho, com US$ 35 bilhões, o melhor resultado do mês na história do país, totalizando US$ 220 bilhões no semestre, alta em relação aos US$ 200 bilhões do mesmo período do ano passado.
Segundo ele, o país registrou queda de US$ 2,9 bilhões nas exportações para os Estados Unidos, compensada por avanços de US$ 3,1 bilhões na Europa, US$ 2,7 bilhões na Índia e US$ 11,3 bilhões na China.
“O que está acontecendo é que a balança comercial brasileira, mesmo nesse período, está vivendo um dos mais complexos do ponto de vista do comércio internacional”, disse Müller, atribuindo parte do bom resultado ao acordo com a União Europeia.
Como funciona
Segundo Müller, as inscrições abrem nesta quarta-feira (12) no site da agência, com formulário para informar o produto exportado e o tipo de apoio desejado, como participação em feiras, rodadas de negócios ou adequação de certificações.
Além disso, as despesas com novas certificações ocorridas nos mercados de destino serão ressarcidas pela agência até R$ 40 mil por empresa.
O presidente da ApexBrasil disse que, das 2,4 mil empresas já aprimoradas pela agência antes do plano, 72%, que exportavam exclusivamente para os Estados Unidos em maio de 2025, já haviam sido feitas ao menos uma exportação para outro mercado até junho de 2026.
O plano, segundo ele, vai durar 12 meses, entre agosto e julho do próximo ano.
Tarifaço
O plano da ApexBrasil responde à “tarifaço” americana, iniciada em agosto de 2025, quando o governo de Donald Trump impôs sobretaxa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, medida associada por Washington ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao longo de 2026, o governo americano isentou mais produtos, como aeronaves civis, suco de laranja, café e itens do agronegócio, reduzindo a fatia das exportações brasileiras sujeitas a tarifas adicionais para cerca de 22%, segundo dados do Mdic.
Produtos como carnes, peixes, mel, máquinas e calçados abaixo taxados.