ECONOMIA

JPMorgan reavalia investimentos e alerta para incertezas no Brasil

Banco ajusta recomendação, prevendo fim do ciclo de flexibilização monetária.

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/08/2026 às 13:18
JPMorgan Reprodução

O JPMorgan rebaixou a recomendação do Brasil de sobreponderação (exposição acima da média do mercado, equivalente a compra) para neutro , mencionando que o ciclo de flexibilização monetária está chegando ao fim, ao mesmo tempo que o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito se deteriora.

“Neutro” significa que o banco recomenda que grandes fundos e investidores tenham em suas carteiras uma fatia de ações brasileiras exatamente igual ao peso que o Brasil possui nos índices de referência internacionais.

A expectativa do JPMorgan é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em setembro, seguido por uma “longa pausa” até o segundo trimestre de 2027.

Do ponto de vista técnico, o banco menciona que os ativos brasileiros geralmente têm um desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições. Embora não tenha sido o caso em julho - quando o Ibovespa subiu 3,47%, o dólar caiu 1,92% ante o real - o mercado brasileiro está recuando em agosto e a tendência deve continuar, à medida que a volatilidade - que tem sido baixa - aumenta antes das eleições, acrescenta.

“No geral, tudo parece muito calmo por enquanto não se diz respeito aos preços, e optamos por ficar à margem antes da volatilidade que se aproxima”, afirma o JPMorgan, em relatório a clientes.

O banco diz, ainda, que tanto o mercado financeiro brasileiro quanto o real demonstraram estabilidade desde maio, indicando que há pouco prêmio eleitoral nos preços.

Para o JPMorgan, a perspectiva política segue incerta, considerando que quem vencer as eleições em outubro terá de enfrentar taxas de juros reais altas e déficit fiscal (o governo gasta mais do que arrecada).

O preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026 foi reduzido de 190 mil para 185 mil pontos, equivalente a uma alta de 7,45% ante o fechamento da segunda-feira, 10.