SAÚDE

Fonoterapia amplia comunicação e autonomia de crianças atendidas na Casa do Autista de Maceió

Na Casa do Autista, cada atendimento é planejado de acordo com as necessidades e potencialidades dos assistidos, estimulando comunicação, interação e autonomia

Por Prefeitura de Maceió Publicado em 10/08/2026 às 14:21
Durante a terapia fonoaudiológica, atividades e estratégias são utilizadas para estimular a comunicação e ampliar as possibilidades de expressão dos assistidos da Casa do Autista. David Silas/Ascom Maceió Saúde

Em cada atendimento, uma nova possibilidade de comunicação pode surgir. Um gesto, uma palavra, um olhar, uma imagem ou a capacidade de fazer uma escolha são conquistas que podem representar importantes avanços para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na Casa do Autista de Maceió, a terapia fonoaudiológica trabalha para transformar essas pequenas conquistas em ferramentas para o cotidiano, estimulando comunicação, interação, autonomia e qualidade de vida dos assistidos.

Antes de definir os objetivos, o profissional observa as habilidades já desenvolvidas, as dificuldades apresentadas, os interesses e as necessidades identificadas tanto no atendimento quanto na rotina familiar. A partir desse olhar, são construídas estratégias para que a comunicação seja estimulada de maneira funcional e respeitosa.

“A Fonoaudiologia trabalha a comunicação em todas as suas formas. Nosso objetivo é identificar as potencialidades de cada criança e oferecer estratégias para que ela consiga se expressar, compreender o mundo e interagir com as pessoas ao seu redor”, disse a fonoaudióloga da Casa TEA, Silmara Gabriela.

Embora muitas vezes seja associada apenas ao desenvolvimento da fala, a terapia fonoaudiológica contempla uma série de habilidades. Durante os atendimentos, podem ser estimuladas a compreensão da linguagem, a intenção comunicativa, a atenção compartilhada, o uso social da comunicação, a linguagem expressiva e receptiva, além de aspectos relacionados à motricidade orofacial, alimentação, deglutição e alfabetização, quando necessário.

Para os assistidos que apresentam dificuldades importantes na comunicação oral, também podem ser utilizados recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa. São ferramentas que ampliam as possibilidades de expressão e permitem que a criança comunique desejos, necessidades, sentimentos e ideias mesmo quando a fala não é o principal recurso utilizado.

“Quando a criança consegue se comunicar de forma mais eficiente, ela passa a participar mais das atividades familiares, escolares e sociais. O foco não é apenas ensinar a falar, mas ensinar a criança a comunicar seus desejos, necessidades, sentimentos e ideias da forma que for mais funcional para ela. Nesse processo, cada avanço tem valor. Para algumas crianças, uma conquista pode ser conseguir solicitar um objeto. Para outras, pode significar permanecer em uma atividade compartilhada, responder a uma interação, fazer uma escolha ou utilizar uma nova estratégia de comunicação. O desenvolvimento acontece de maneira individual e, por isso, os objetivos também são definidos de acordo com o perfil de cada assistido", detalha Silmara.

A família também tem um papel importante nesse percurso. Os encontros entre familiares e equipe da Casa do Autista permitem compartilhar percepções sobre o comportamento e a comunicação da criança, esclarecer dúvidas e orientar os responsáveis sobre como estimular as habilidades trabalhadas durante a terapia no dia a dia.

A Casa do Autista conta com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos.

Para a gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, essa aproximação ajuda a tornar o tratamento mais conectado à realidade dos assistidos. “A terapia acontece dentro da Casa, mas os resultados precisam fazer sentido na vida da criança. Por isso, a participação da família é tão importante. Quando conseguimos orientar e caminhar junto com os responsáveis, ampliamos as possibilidades de que aquilo que foi trabalhado durante o atendimento também esteja presente em casa, na escola e em outros momentos da rotina”, frisou.

A atuação da Fonoaudiologia acontece ainda em diálogo permanente com as demais especialidades da unidade. A Casa do Autista conta com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos. O trabalho integrado permite que os profissionais compartilhem informações e alinhem objetivos para acompanhar diferentes aspectos do desenvolvimento de cada criança.

Para a diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciuncula, a atuação multiprofissional fortalece a qualidade da assistência oferecida. “Cada criança apresenta necessidades e potencialidades próprias. Por isso, oferecer uma terapia individualizada e integrada às demais áreas é fundamental para que o cuidado seja realmente completo. Nosso compromisso é contribuir para uma assistência que respeite cada trajetória e valorize cada avanço alcançado pelos nossos assistidos”, acrescenta a gestora. 

A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos com atuação voltada à modernização, eficiência, boas práticas de governança e qualidade da assistência prestada à população de Maceió.

Para ter acesso aos serviços, é necessário reunir RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e documentos do responsável legal. A documentação deve ser apresentada no Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo.

Após a abertura, os casos são analisados e regulados pela equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde, seguindo critérios técnicos e de prioridade. Os pacientes são encaminhados gradualmente aos serviços disponíveis, entre eles a Casa do Autista, conforme a organização da rede e a capacidade de atendimento.