ECONOMIA

Alckmin destaca papel do Brasil em meio ao protecionismo dos EUA

Vice-presidente alerta sobre impactos das tarifas americanas no agronegócio e indústria nacional.

Por Sputnik Brasil Publicado em 10/08/2026 às 13:28
Alckmin fala sobre os desafios do Brasil diante do protecionismo dos EUA no congresso do agronegócio. © Sputnik / Guilherme Correia

Discursando na abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo (SP), Alckmin ressaltou que as disputas geopolíticas globais e os conflitos regionais impõem desafios adicionais ao comércio externo brasileiro.

Diante do aumento das pressões protecionistas globais e dos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (10) que o país não abandonará os canais diplomáticos e comerciais no cenário internacional para defender a competitividade do agronegócio e da indústria nacional.

Ao citar os tarifaços dos norte-americanos, ele enfatizou que as barreiras adotadas afetam setores estratégicos da economia nacional, especialmente o segmento de máquinas e equipamentos. "Não vamos sair da mesa de negociação", declarou Alckmin.

O vice-presidente observou que o fluxo de produtos norte-americanos que entram no mercado brasileiro ingressa sob tarifas reduzidas ou nulas, gerando assimetrias no intercâmbio comercial. "Quando o produto americano entra no Brasil, a tarifa média é 3,1%. Dos dez produtos que eles mais exportam para nós, sete é zero." Alckmin apontou que a elevação das alíquotas compromete parcelas expressivas dos embarques nacionais aos Estados Unidos.

"Hoje, até 15% da nossa exportação vale de 5 a 7 bilhões [de dólares], de acordo com o ano em que a gente interpretava, e está muito afetada a indústria. Por isso, nós colocamos R$ 18,5 bilhões para apoiar as empresas afetadas", explicou, citando medidas de crédito com juros mais baixos e atuação conjunta da Apex e do BNDES para a conquista de novos mercados.

Alertas sobre o 'tarifaço' e os custos de produção

O cenário geopolítico hostil e a elevação de barreiras tarifárias também foram enfatizados por lideranças parlamentares durante o evento. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para as sobretaxas que pesam sobre o comércio bilateral e ressaltou que a instabilidade internacional pressiona os custos dos produtores rurais.

"Os tarifaços dos Estados Unidos foram renovados com sobretaxas de 25% em vários produtos, acrescidos de mais 12,5%", afirmou Tereza Cristina, defendendo a manutenção das conversas diplomáticas e empresariais com Washington.

A parlamentar ressaltou ainda os desdobramentos de conflitos internacionais no suprimento de insumos agrícolas. "As guerras e sobretudo o Oriente Médio trouxeram a explosão dos nossos custos", pontuou, reforçando a necessidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes para assegurar a margem de produção do país.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, disse que "o papel do Estado não é substituir problemas, é criar um ambiente onde quem produz possa fazer aquilo que sabe fazer melhor".

"Isso significa reduzir obstáculos, ampliar mercados, oferecer aumento de crédito, investir em ciência e tecnologia e aprimorar a regulação."