Palestina acusa Netanyahu de atrasar acordo por interesses eleitorais
Ministra das Relações Exteriores critica recusa de proposta de paz pelos israelenses.
A ministra das Relações Exteriores da Palestina, Varsen Aghabekian Shahin, acusou neste domingo (9) o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de adiar um possível acordo sobre a Faixa de Gaza até depois das eleições israelenses, previstas para outubro.
A declaração ocorreu após Netanyahu rejeitar formalmente uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos. Em entrevista à rádio oficial Voz da Palestina, Shahin afirmou que Netanyahu "não deseja alcançar um acordo" e busca manter os palestinos em uma situação de incerteza. A ministra também alertou para o aumento da violência de colonos israelenses na Cisjordânia.
Segundo Shahin, os ataques se tornaram mais coordenados, armados e destrutivos, o que, na avaliação da chanceler, prejudica a população palestina e reduz as perspectivas de uma solução de dois Estados.
Horas antes das declarações da ministra palestina, Netanyahu afirmou durante uma reunião do gabinete israelense que o país rejeita o plano de 15 pontos para Gaza apresentado pela chamada "Junta de Paz", liderada pelos Estados Unidos.
O primeiro-ministro reiterou que Israel não pretende retirar suas forças do enclave enquanto o Hamas não entregar completamente suas armas. "Quando falo em desarmar o Hamas, refiro-me às armas pesadas, às armas menos pesadas, a todas as armas", afirmou Netanyahu.
O plano foi elaborado em maio por Nickolay Mladenov, apresentado como "alto representante para Gaza" da Junta de Paz, e anunciado oficialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no fim de julho.
Na ocasião, Trump afirmou que o grupo havia chegado a um acordo sobre o "desarmamento completo" do Hamas e de outras organizações armadas que atuam em Gaza.
Hamas reafirma compromisso com proposta dos EUA
Após a rejeição anunciada por Netanyahu, o Hamas reafirmou seu compromisso com o plano em comunicado. O grupo havia declarado, um dia depois do anúncio de Trump, que aceitava a versão mais recente da proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo.
Porém, o movimento condicionou qualquer discussão sobre o armamento à interrupção completa dos ataques, à retirada das forças israelenses de Gaza e ao avanço da reconstrução do território.
O cessar-fogo entre Israel e Hamas entrou em vigor em outubro de 2025. Mesmo assim, ataques israelenses nos últimos meses deixaram mais de 1.250 mortos e mais de 4.100 feridos em Gaza, segundo autoridades de saúde do território.