Israel nega proposta americana e impede avanço em plano de paz para Gaza
Netanyahu afirma que não retirará tropas até o desarmamento total do Hamas.
Israel rejeitou a proposta dos EUA para avançar no plano de paz em Gaza, após Benjamin Netanyahu afirmar que não retirará tropas até que o Hamas esteja totalmente desarmado, bloqueando a segunda fase do acordo de Trump em meio à crescente tensão regional com o Irã.
Israel rejeitou a proposta mais recente dos Estados Unidos para avançar à segunda fase do plano de paz em Gaza, aceita pelo Hamas, ao afirmar que não retirará suas tropas até que o grupo palestino esteja totalmente desarmado.
"Israel rejeita o documento de 15 pontos", afirmou o primeiro-ministro, segundo a mídia francesa, e acrescentou que o Exército israelense "não fará nenhuma retirada" de Gaza enquanto não houver o desarmamento do Hamas.
A posição israelense trava o roteiro elaborado por Washington, que previa medidas de estabilização e reconstrução da Faixa de Gaza. Trump havia anunciado que negociadores norte-americanos teriam obtido do Hamas um compromisso de desarmamento, passo que, segundo ele, abriria caminho para a continuidade do processo de paz.
Netanyahu, porém, sinalizou que Israel não considera o acordo robusto o bastante.
"Quero enfatizar mais uma vez: com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares", declarou o premiê durante a mesma reunião de gabinete, reforçando o clima de tensão regional.
O cenário se agrava com novos movimentos iranianos no estreito de Ormuz. Teerã afirmou que negocia com Omã a reabertura de rotas de navegação, condicionando o avanço a exigências dirigidas aos Estados Unidos, incluindo compensações por ataques e o fim de sanções.
Segundo a mídia britânica, antes do bloqueio imposto pelo Irã, cerca de um quinto das remessas mundiais de petróleo e gás liquefeito passava pelo estreito. O ministro iraniano Abbas Araghchi reiterou que Teerã exige garantias e reparações para normalizar o trânsito marítimo.
A instabilidade se estende ao Iêmen, onde os houthis — aliados do Irã — reivindicaram um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan.
O conjunto desses episódios evidencia um ambiente regional marcado por impasses diplomáticos, pressões militares e disputas estratégicas, e, aparentemente, o principal aliado dos EUA na região não está disposto a colaborar com a agenda da Casa Branca.