DEFESA

Pentágono solicita urgência na produção de armamento devido a estoques críticos

Indústria de defesa recebe pressão do governo para acelerar entrega de munições na guerra com o Irã.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/08/2026 às 05:44
Pentágono pressiona indústria a acelerar produção de armamentos em resposta a estoques críticos. © AP Photo / Exército dos EUA / John Hamilton / Handout

O Pentágono pressionou a indústria de defesa a acelerar drasticamente a produção de armamentos após o rápido esgotamento de estoques críticos na guerra contra o Irã, enquanto a Casa Branca tenta destravar verbas e envolver empresas para superar o impasse no Congresso.

De acordo com a mídia norte-americana, o Pentágono intensificou a pressão sobre a indústria de defesa dos EUA, exigindo que empresas apresentem em até 21 dias planos para acelerar drasticamente a produção e entrega de armamentos, especialmente munições em escassez devido à guerra com o Irã.

O memorando, assinado pelo secretário adjunto de Defesa, Steve Feinberg, obtido por um jornal de grande circulação nos EUA, afirma que ciclos de desenvolvimento longos "não são aceitáveis" e que a capacidade industrial precisa ser ampliada imediatamente.

A ordem surge em meio a tensões entre o presidente norte-americano Donald Trump e o Departamento de Defesa sobre a falta de munições, segundo fontes familiarizadas com o tema. Embora Trump tenha declarado publicamente que os EUA possuem "quantidades enormes" de munições, o memorando reflete preocupação interna com estoques críticos em queda e com a lentidão dos processos de aquisição.

A Casa Branca tem buscado envolver diretamente empresas do setor para destravar recursos. No fim de julho, gigantes como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Boeing, além de startups como Anduril e Palantir, foram convocadas para uma reunião com altos funcionários do governo. Executivos foram incentivados a pressionar o Congresso por mais verbas via conciliação orçamentária, em uma tentativa de superar o impasse legislativo.

Nos últimos meses, o Pentágono anunciou diversos acordos‑quadro com grandes contratadas e startups para ampliar o fornecimento de munições de baixo custo e sistemas avançados de defesa antiaérea, como THAAD e Patriot. Esses acordos, porém, não são vinculativos e dependem de financiamento do Congresso, o que especialistas consultados pela mídia apontam como um gargalo central.

A urgência, no entanto, decorre do esgotamento acelerado dos arsenais. No primeiro mês da guerra, os EUA dispararam mais de 850 Tomahawks, 1.000 interceptores Patriot e THAAD e mais de 1.300 mísseis balísticos táticos. O estoque global de mísseis Patriot caiu de 2.200 para menos de 827, e o de THAAD de 452 para menos de 278, aumentando riscos operacionais e limitando a capacidade de escalada militar.

Para tentar reverter o quadro, o Departamento de Defesa firmou novos acordos com a Northrop Grumman e a Lockheed Martin para ampliar a produção de PAC‑3 e THAAD, incluindo um contrato de até US$ 58,6 bilhões (mais de R$ 297,8 bilhões) para triplicar a produção de PAC‑3 até 2030. Startups do Vale do Silício também foram chamadas a contribuir com tecnologias de ataque de baixo custo e processos mais ágeis.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, tem defendido uma reformulação profunda do sistema de aquisição militar, argumentando que a inovação norte-americana precisa ser "liberada" para operar em ritmo de guerra.

Ainda segundo a apuração, ex‑executivos do setor tecnológico, como Emil Michael, foram contratados para acelerar processos e modernizar a estrutura de compras.

Apesar dos esforços, o avanço dos acordos‑quadro depende da aprovação de um pacote de US$ 1,15 trilhão (cerca de R$ 5,8 trilhões) em gastos de defesa, atualmente bloqueado no Congresso devido à oposição democrata a aumentos massivos no orçamento. Para especialistas consultados pela mídia, esse impasse coloca em risco toda a estratégia de reabastecimento e expansão industrial.

No memorando, Feinberg afirma que o Departamento de Defesa está "mudando fundamentalmente" sua forma de desenvolver e produzir capacidades militares. Ele lista programas críticos sob análise para aceleração, incluindo o Next Generation Interceptor, o sistema NASAMS, um radar móvel de defesa antiaérea, um sistema avançado de treinamento de pilotos e uma constelação espacial para rastreamento de mísseis.

Feinberg também pede que empresas proponham investimentos próprios, expansão de instalações e planos de entrega acelerada para atender aos pedidos projetados. O Pentágono quer que a indústria demonstre disposição em investir e colaborar como parceira estratégica, apesar da incerteza orçamentária.

Algumas empresas já estão financiando produção por conta própria enquanto aguardam aprovação do Congresso, mas especialistas alertaram ao jornal que isso representa risco elevado para companhias de capital aberto, já que, sem garantias de contratos definitivos, a indústria se expõe a compromissos baseados apenas em promessas políticas.


Por Sputinik Brasil