POLÍTICA

Turquia reafirma que pacto com Arábia Saudita e Paquistão não é uma ameaça ao Irã

Ministro Hakan Fidan destaca que acordo visa estabilidade regional e não define inimigos específicos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 08/08/2026 às 19:40
Arábia Saudita, Turquia e Paquistão devem assinar acordo-chave de defesa nesta sexta, 7 Nano Banana (Google Imagen)

O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, afirmou neste sábado, 8, que o acordo firmado na véspera entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia não é direcionado contra o Irã nem contra nenhum outro país. Ele qualificou o pacto como um passo importante em direção à estabilidade regional.

O príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, assinaram o acordo na sexta-feira (7) na cidade sagrada saudita de Meca. O texto estabelece que um ataque contra um seria considerado um ataque contra os três.

O Acordo Conjunto de Defesa de Meca reúne a Arábia Saudita, rica em petróleo, e o Paquistão - que possui armas nucleares -, assim como a Turquia, que tem o segundo maior exército da Otan e uma indústria de defesa em rápido crescimento. Além disso, aprofunda a cooperação e a dissuasão em um momento de maior incerteza regional e de ameaças decorrentes da guerra no Irã.

Em uma entrevista à agência estatal turca Anadolu, Fidan insistiu que os três países não consideram nenhum Estado em particular como adversário, a menos que empreenda ações hostis contra eles. 'Não temos nada por escrito - nada que tenhamos assinado - que defina uma ameaça comum', expressou Fidan. 'Qualquer país que não nos ataque não é um alvo para nós'.

O ministro turco descreveu a cláusula do acordo sobre defesa mútua como 'tecnicamente a mesma' do artigo 5 da Otan, segundo o qual um ataque contra um dos 32 membros é considerado um ataque contra todos.

Ao ser questionado sobre como funcionaria o mecanismo, Fidan explicou que um membro teria que solicitar ajuda formalmente, e que a assistência dos outros dois países poderia variar desde o compartilhamento de inteligência até o apoio logístico, ou o desdobramento de unidades militares, dependendo do tipo de ameaça.

'Esses são assuntos de múltiplas camadas que variam conforme a magnitude da ameaça', acrescentou. 'Essa é a perspectiva que temos apresentado até agora em nosso trabalho'. O ministro turco indicou, ainda, que outras nações expressaram interesse em se juntar ao acordo, e acrescentou que prevê que o Egito, que descreveu como um 'parceiro natural', participe 'na próxima etapa'.